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Governo quer atrair médicos da República Checa para os Açores

O Governo Regional espera poder firmar, na próxima semana, um acordo com a República Checa, no sentido daquele País do Leste da Europa poder enviar para os Açores médicos na especialidade de clínica geral, que irão trabalhar para os Centros de Saúde das zonas mais carenciadas da Região, que são neste momento os Concelhos de Ponta Delgada, Ribeira Grande, Angra do Heroísmo e Vila Franca do Campo. Na próxima quarta-feira, haverá um encontro entre o secretário regional dos Assuntos Sociais, Domingos Cunha e o embaixador da República Checa em Portugal. O Governo espera que a ocasião sirva para limar as aresta finais de uma proposta de acordo apresentada no ano passado pelo Governo Regional, na sequência do próprio interesse manifestado também pela República Checa. Por um lado, o Governo Regional pretende com este acordo garantir a vinda de médicos checos para colmatar a grande carência de médicos de família nos Açores e, por outro lado, oficializar também o canal entre a Região e a República Checa, criado nos últimos anos com a deslocação, por iniciativa própria, de alguns alunos açorianos àquele País para irem estudar Medicina. Uma realidade que o Açoriano Oriental revelou em Dezembro de 2005, ao entrevistar uma das alunas açorianas a estudar Medicina na República Checa. Actualmente, os Açores têm apenas 116 médicos de clínica geral no Serviço Regional de Saúde, uns vinculados aos quadros, outros a contrato ou requisitados. No entanto, para a população dos Açores, seriam necessários 162 médicos de clínica geral. Uma meta que ainda está muito longe de ser atingida, isto apesar de, recentemente, cerca de 15 jovens médicos terem optado nos Açores pela clínica geral como especialidade a seguir, à saída da universidade. Mas estes também não chegam para as necessidades. Ainda que venham ganhar para os Açores o mesmo que qualquer outro médico português que exerça na Região, mesmo assim, o Governo espera que a diferença de nível de vida que ainda existe entre Portugal e a República Checa atraia alguns médicos. Mas a vinda de médicos checos para os Açores coloca um problema: o da Língua. Algo que Domingos Cunha desmistifica. “É nossa preocupação que estes médicos consigam ter um domínio da Língua portuguesa, de modo a estabelecer uma ligação e uma empatia com os utentes”, afirmou o secretário regional dos Assuntos Sociais ao Açoriano Oriental. Isto porque, revela Domingos Cunha, muitos médicos checos, ao terem a noção de que há muitos portugueses a procurar aquele País para estudar Medicina têm feito formação, através do Ministério da Saúde local e da Embaixada portuguesa, procurando aprender a Língua portuguesa, tendo em vista ganhar oportunidades de trabalho no estrangeiro. Embora o acordo proposto à República Checa “não envolva nenhum compromisso com a deslocação de estudantes dos Açores”, conforme garante Domingos Cunha, a verdade é que, nem mesmo a abertura dos Preparatórios de Medicina na Universidade dos Açores evitou que, anualmente, muitos candidatos a médicos não consigam um lugar na Universidade. Os cursos em inglês da República Checa tornam-se, assim, atractivos. ||

Publicado: Tera, 06 Fevereiro, 2007

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