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Comunidade paquistanesa manifesta contra atrasos do SEF

Texto: AIPA com TSF | Foto: Direitos Reservados - Solidariedade Imigrante

Cerca de 60 pessoas concentraram-se esta segunda-feira em frente à direção regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em Lisboa, numa ação organizada pela comunidade paquistanesa, contra a demora na atribuição de uma autorização de residência em Portugal.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Solidariedade Imigrante explicou que esta concentração terá sido convocada pela comunidade paquistanesa em Portugal.

Em causa a demora e a burocracia na atribuição das autorizações de residência, que leva a que muitas pessoas esperem anos pelo documento, apontou Timóteo Macedo.

O responsável adiantou que, na sequência da concentração, um grupo de manifestantes reuniu com a direção regional de Lisboa do SEF, que lhes apontou os motivos dos atrasos.

"Dizem que há falta de pessoal e que a situação agravou-se com a baixa médica do diretor nacional, que é responsável por assinar os despachos", disse Timóteo Macedo, acrescentando que "as pessoas estão esperando, esperando e não há forma de por cobro a isto".

Para Timóteo Macedo, "os atrasos e a burocracia já fazem parte do ADN" dos serviços do SEF, apontando que as pessoas imigrantes que está à espera destas autorizações de residência "têm a vida suspensa" e "estão muito descontentes, com muita raiva".

"Os processos que estão para emissão devem rondar os 1.000, 1.200. Depois há uma série de cidadãos e cidadãs paquistanesas, que aqui estão, aqui trabalham e têm a vida suspensa porque os seus processos de legalização são processos kafkianos, altamente burocráticos, seletivos, sujeitos a demoras infernais", denunciou.

Como consequência, apontou, há muitos imigrantes a "ver os seus postos de trabalho a irem ao ar porque os patrões pressionam e as pessoas não têm nada para mostrar".

Revelou que há igualmente quem não possa viajar até ao seu país de origem, por exemplo, em caso de morte de um familiar, ou, por outro lado, tenha filhos no país de origem que não vê há vários anos.

"Não se admite que Portugal demore três, quatro, cinco, seis anos para dar um documento a uma pessoa. Não se admite. Em nenhum outro país acontece esta situação", criticou, apontando que muitos destes processos já estão concluídos desde março de 2016.

Timóteo Macedo explicou que foi por essa altura que saiu um despacho da direção nacional do SEF a dar "outra interpretação legal à entrada no país".

"Todos os processos que estavam para trás de março de 2016 ficaram cancelados. Estão a ser todos revistos, reanalisados e passados à lupa ao abrigo do novo despacho", salientou.

 

No que diz respeito a ações futuras, o presidente da Associação Solidariedade Imigrantes disse que vão aguardar pelas votações dos pedidos de alteração à lei da imigração feitos pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista para perceber se satisfazem a reivindicações e avaliar a partir daí as formas de protesto.

Publicado: Tera, 24 Janeiro, 2017

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