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“Espero um dia voltar para matar saudades”

“Espero um dia voltar para matar saudades”

A crise, a falta de produtos básicos de primeira necessidade e, sobretudo, a insegurança na Venezuela são as causas da crescente vaga da emigração que o país tem assistido nos últimos anos. Partem venezuelanos, mas também portugueses lá emigrados.

Leonardo Sanchez, de 30 anos, partiu da sua terra, em Agosto de 2015, com o namorado, terceirense e a residir na Venezuela há mais de 10 anos. Na ilha Terceira, procuraram a estabilidade que não tinham na Venezuela.  

“Fomos dando conta que cada vez mais era mais difícil conseguirmos artigos de primeira necessidade. Nos últimos anos, em que lá estávamos, começou a haver escassez de comida, falta de segurança e, também, mais dificuldade de termos um futuro como parceiros, já que na Venezuela o matrimónio entre homens não é legal”, conta.

Foi com um “ambiente de receio, temor e angústia” que o casal abandonou o país e partiu para os Açores à procura de uma melhor qualidade de vida que “mantivesse a chama da esperança sobre um futuro melhor”.

Leonardo não esconde o quanto se sente bem integrado na ilha Terceira. Por isso, conta que a sua integração no arquipélago foi “brindada pela cordialidade e muita atenção da população”. 

“É uma comunidade muito dinâmica que visa a inclusão de todos os que cá residem. Tal como a AIPA que está sempre pronta a prestar apoio na nossa integração”, acrescenta.  

Difícil é para este venezuelano dizer o que mais gosta nos Açores. “Como imigrante aprendi a dar valor e a gostar de tudo, desde o clima, a comida, cultura e a religião. “É o que caracteriza a sua gente, dando como resultado pessoas boas, que apoiam e se interessam uns pelos outros”, responde.

Porém, diz que a alegria, a paz, tranquilidade, o entretenimento e, sobretudo, a calma é o que mais lhe agrada.  

Leonardo dedica os seus dias a “dar sorrisos a idosos em um lar terceirense”. Também, partilha o que sabe sobre os sabores e a cultura venezuelanas, através de uma página de comida venezuelana que tem no Facebook. Enquanto isso, sonha em abrir uma loja sua.

Questionado sobre a sua experiência enquanto imigrante, responde que é “enriquecedora e de autodescobrimento”. “Todos os dias há uma história a ser escutada, uma expressão que nos diz qualquer coisa e a minha perspetiva sempre vai com um ‘isso é como na Venezuela, mas é diferente’”.

Para além da comparação, afirma que há sempre a procura de alguma “familiaridade ou conforto”.

Mesmo longe, este imigrante sente muito a situação em que se encontra a sua Venezuela e sonha que um dia ela volte a ser o que era. “Dói-me ver a minha família, meu filho e amigos nestas situações”, lamenta. Segundo Leonardo, Venezuela está, hoje, numa etapa decisiva e final. “Agora, só precisa de reinventar-se e ser a Venezuela cheia de vida, cor, sabor e esperança que guardo nas minhas recordações e espero um dia voltar para matar as saudades”, termina.  

 Rumos Cruzados, 1 de junho de 2017.

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