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Alta costura de Roma em Ponta Delgada

Alta costura de Roma em Ponta Delgada

Em 2016, segundo as estatísticas do SEF, chegaram aos Açores 150 italianos. Uns vêm para descansar e gozar a sua reforma longe da azáfama das grandes cidades. Outros, porém, tal como Clara Rossetti, partem para uma aventura e arriscam começar a vida do zero.

Com a sua melhor amiga que se encontra de visita, a italiana recebeu-nos no seu pequeno atelier de alta costura que abriu no centro de Ponta Delgada.

“Clara é muito corajosa!”, diz Juana Matteo sobre a vinda da amiga, aos 76 anos, para a ilha de São Miguel.

Em setembro fará dois anos desde que chegou e para Clara Rossetti não há lugar para arrependimentos. “Eu já estava cansada da vida que estava a ter em Roma e então decidi partir para uma nova aventura e construir uma vida diferente”, explica.

Conta-nos que aqui se sente bem e que gosta muito de viver na ilha. “As pessoas são muito gentis, afetuosas e me tratam muito bem. Depois, a vida é muito tranquila”, acrescenta.

À pergunta recorrente se teve problemas de adaptação, responde que não sentiu grandes dificuldades e, apesar de não falar português, a língua também não é um problema. “Quase toda agente compreende italiano e eu entendo qualquer palavra portuguesa”, afirma.

O clima açoriano, diferente de Roma, é o que menos gosta. Mesmo assim, é com ele que pretende ficar.

Clara Rossetti chegou sozinha, mas hoje já tem um círculo de amigos italianos e açorianos.  

Ao contrário de muitos dos seus conterrâneos, esta italiana escolheu viver em Ponta Delgada. “Comprei um carro velho e com ele vou às Furnas ou às Sete Cidades. Quando os meus amigos vêm visitar-me, levo-os a conhecer a ilha e eles gostam muito do panorama, porque a natureza é muito bela, tem o mar, o verde e muitas flores”, diz.

Em Itália, Clara, tal como a sua amiga Juana Matteo, sempre trabalhou com alta costura. Em Roma, já teve uma alfaiataria de alta moda e um grande atelier, costurou para países como a Finlândia, Peru, América, Germânia e França e também já fez grandes viagens.

“A minha amiga Juana já costurou para príncipes do Kuwait e Qatar. Para nós, o nosso trabalho é a nossa vida”, conta. E da vida em Roma, trouxe apenas esta paixão pela costura.

Em Ponta Delgada, abriu um pequeno atelier de alta costura, onde cria peças únicas e sofisticadas com tecidos italianos. “Espero que as pessoas me conheçam e que compreendam a minha qualidade. Eu costuro um fato, uma saia, faço qualquer ajuste e crio peças únicas. Em contacto com a minha colega que trabalha em Roma mando vir tecidos de qualidade”, esclarece.

Clara já conquistou aqui algumas clientes e, conta, que elas “gostam do que faz porque são peças diferentes”.

Em Itália, deixou dois filhos, um neto e muitos amigos. Todos os dias, contacta com eles através da internet. Mas, “a minha vida agora é aqui”, diz.

Não pretende regressar, porém quer continuar a trabalhar no que lhe “mantém viva”, a costura. “Também, devo trabalhar porque a minha reforma é pequena”, confessa.

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