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De jogador de futebol a cuidador de idosos e empreendedor

De jogador de futebol a cuidador de idosos e empreendedor

Foi jogador profissional durante 28 anos e foi o futebol que lhe trouxe para os Açores em 1996. Trabalhou na construção civil, é auxiliar de geriatria e hoje gere um snack-bar em Ponta Delgada. Adora os Açores e já se sente em casa, mas diz que a “esperança é sempre voltar”.

Na Avenida D. João III, Juranir e Maria José Cunha gerem o seu primeiro negócio, um snack-bar. São Brasileiros, mas de diferentes estados. Ele tem 57 anos e nasceu em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina, ela tem 56 e é de Alagoas.

“Nós nos conhecemos no Brasil, no meu primeiro ano de profissional de futebol. Conhecemo-nos em Janeiro, ficamos noivos em junho e em dezembro casamos”, recorda Juranir.

O casal já conta com 35 anos de casados e há quase 20 que vive na ilha de São Miguel. Segundo Juranir, Maria José acompanhou-lhe sempre no seu percurso migratório.

Estivemos à conversa com o antigo jogador de futebol no seu estabelecimento comercial. Conta-nos que antes de vir para os Açores, esteve 3 anos no Continente. No Brasil, as condições de vida não eram as melhores. “Como eu jogava futebol, a perspetiva de emigrar e melhorar de vida era boa”, afirma.

Por cá, jogou no Mira Mar Sport Clube, na vila da Povoação, no Clube Desportivo de Vila Franca e terminou a sua carreira como jogador no Santiago Futebol Clube, onde tirou um curso de treinador de segundo nível e de treinador adjunto. “Não foi uma carreira brilhante, mas dentro dos objetivos que eu tinha consegui aquilo que queria. Em termos pessoais e culturais, foi uma carreira que me enriqueceu bastante”, acrescenta.

Depois do futebol, Juranir Cunha abraçou outra profissão e hoje é auxiliar de geriatria na Santa Casa da Misericórdia da Lagoa. “É uma área em que eu sempre tive curiosidade de trabalhar. É muito gratificante porque há um conhecimento que agente adquire através do contacto com os idosos que é imperdível”, declara.

Sobre os Açores, diz que se identificou bastante porque Florianópolis recebeu muitos açorianos. “A integração foi bastante fácil exatamente por causa disso. Também porque o povo me acolheu muito bem”, acrescenta.

Para Juranir, a integração depende muito da personalidade do imigrante, de procurar integra-se e de conviver com a cultura do país que lhe acolhe. “Desde que cheguei aqui, procurei participar não só no quotidiano, como na própria vida do município onde eu estava inserido. Por isso, faço parte da Junta de Freguesia de São Miguel, em Vila Franca do Campo”, explica.

A família Cunha já se sente em casa, “pelo carinho e pela maneira cordial” com que foi acolhida. “É de sublinhar e de louvar, a maneira carinhosa com que o povo açoriano recebe os imigrantes”, frisa. Porém, “a esperança é sempre voltar”. “Mas, enquanto isso vamos levando a nossa vida, vamos trabalhando e agora temos que seguir em frente com esse projeto que foi abraçado pela família”, termina. 

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