AIPA

Férias com um amor à

Férias com um amor à "primeira vista" pelos Açores

Veio de férias para os Açores e decidiu ficar. Adora o sossego das ilhas, a cultura e as suas gentes. Vive na ilha de São Miguel, mas considera gozar a sua reforma em Santa Maria. 

Fabiane Moraes tem 37 anos, nasceu no Estado de Goiás, Brasil, e em 2009 escolheu os Açores para viver. 

“A calma e o sossego fizeram-me ter aquela ideia: porque não viver cá? No começo achei um bocadinho difícil a questão da legalização, mas depois em 6 meses fiquei legal e consegui emprego”, conta. 

A sua integração foi “muito boa”, porque desde o início sempre gostou do “local, da cultura e das pessoas”. 

“As próprias empresas aceitam muito bem agente para trabalhar, acho que já têm a ideia de que o imigrante quando vem para ficar está disposto a trabalhar muito. Nunca tive dificuldades para arrumar emprego ou mesmo para alugar uma casa”, acrescenta.

Mas nem tudo na imigração é um “mar de rosas” e Fabiane teve também dificuldades de adaptação. Conta que o único obstáculo que teve de enfrentar foi no atendimento dos serviços públicos. “O atendimento não é padrão, não se seguem as leis”, explica.

Neste sentido, Fabiane quis deixar um conselho: “A falta de documentação para mim é viver à margem da sociedade, viver marginalizado. Por isso, se tem direto à documentação e se alguém nega tem de saber quem e porquê. Se achar que está a ser discriminado, denuncie”. 

Cresceu no seio de uma família de comerciantes, aprendeu a vender desde pequena e são estas as aprendizagens que utiliza hoje no negócio que construiu com o companheiro. O casal abriu uma loja de personalização de T-Shirts que se alia à empresa de som e de organização de eventos que já tinha. 

“Estamos agora a apostar neste projeto e a levar para um patamar de marca registada. Já estamos à espera do nosso portfólio com todos os desenhos da personalização, em que muitos são feitos pela minha filha e pelo grupo da turma de Artes”, afirma. 

Para além de empreendedora, ser voluntária é também uma das suas características. “Procuro ser um ser humano melhor e o voluntariado traz isso para agente. Vendo a diferença e a decadência, começa-se a ver que a nossa vida é perfeita e que o bocadinho que se fizer já vai ajudar também o próximo”, diz.

No Brasil, já fazia voluntariado nas escolas e durante 11 anos dirigiu uma associação de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica.  

Por cá, há cerca de três meses esteve integrada num grupo de voluntários que entrega sopas aos sem-abrigo e continua ligada às escolas. Do trabalho voluntário nas escolas, destaca o projeto desenvolvido pela ARRISCA na Escola Básica dos Arrifes. “O trabalho passava por identificar crianças na linha de risco, que estavam como possíveis toxicodependentes”, recorda.

Para o ano, pretende realizar um novo projeto voluntário na Escola Secundária Antero de Quental, onde já apresentou proposta.

Do Brasil, sente apenas saudades da família. “Aqui já me sinto em casa. Não pretendo sair dos Açores, só mesmo de São Miguel para viver em Santa Maria. Costumo dizer ao meu marido que vamos nos reformar lá, agente quer sossego”, termina.

Rumos Cruzados, 16 de junho de 2016.

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Gabinete de apoio ao preenchimento de declarações fiscais até ao dia 31 de maio
Em 2018, o prazo de entrega da declaração de rendimentos de ...

Saber Mais

Subscreva a nossa newsletter