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“Quem me dera voltar outra vez” a Cabo Verde

“Quem me dera voltar outra vez” a Cabo Verde

A independência de Cabo Verde impulsionou muitos cabo-verdianos que trabalhavam para o Estado Português a sair da sua terra. Para não perderem os seus trabalhos, aceitaram a proposta do governo e foram transferidos, em 1975, para Portugal Continental e ilhas.

Hoje, são muitos os cabo-verdianos em Portugal que partilham deste processo migratório. A história de Albertina Silva Carvalho é um exemplo que se cruza com outras histórias que partiram de Cabo Verde.

Nasceu na ilha de São Nicolau em 1958 e, precisamente, em 1975, já casada e com um filho, acompanhou o marido na sua deslocação para Portugal.

“Ele trabalhava como bombeiro no aeroporto, na ilha do Sal, e com a independência, deram oportunidade aos trabalhadores para se transferirem e para isso teriam de emigrar”, lembra.

A primeira paragem depois da sua saída de Cabo Verde deu-se na cidade do Porto, onde viveu durante 8 anos. Mais tarde, surge uma vaga para a ilha de São Miguel. “O meu marido concorreu, ficou colocado e, em 1983, eu e os meus dois filhos viemos viver para cá”, acrescenta.

Conta que a chegada aos Açores foi “perfeita”. “O clima é diferente do Continente e como cheguei em maio e já fazia sol, achei que se parecia com o de Cabo Verde”, recorda.

Albertina Carvalho não esconde a sua fácil adaptação à ilha e acrescenta que gostou muito de ter cá chegado. “Sempre achei que fosse um belo lugar para criar os filhos”, frisa.

Desde que saiu de Cabo Verde, apenas regressou uma vez em 2013. Quisemos saber como foi este regresso, que há décadas esperava. Com um suspiro de quem já sente saudades, responde que “aquilo está muito diferente. Está bonito e desenvolvido”. Visitou a sua terra, na ilha de São Nicolau e a ilha do Sal.

“Regressei aos meus locais de infância, ao que deixei para trás há 40 anos. Estive na minha terra, onde nasci e me criei até aos 16. Cheguei lá e não fui capaz de reconhecer as pessoas e de identificar as ruas”, conta.

Mas, acrescenta que “há sempre uma pessoa antiga que nos conhece, que se lembra de nós e nos faz recuar um bocadinho no tempo”.

 

Deu para matar saudades? “Quem me dera voltar outra vez. Se eu tivesse condições para viver na minha terra era capaz de regressar”, termina. 

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