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“Ser emigrante é uma grande aventura”

“Ser emigrante é uma grande aventura”

Erivaldo Pereira de Sousa, mais conhecido, artisticamente e entre os amigos, como Pingo Grapiuna, é brasileiro, tem 52 anos e reside em Portugal desde 2000.

Pingo Grapiuna, nos Açores desde 2008, é uma figura muito conhecida na ilha Terceira. Frequentemente o encontramos a animar festas de casamento, de aniversário ou uma noite de festa. 

É cantor, compositor, já trabalhou como produtor em diversos eventos culturais, designadamente, na área do teatro e, para além da música, tem como passatempo cozinhar. Pratos portugueses, mas também aqueles tipicamente brasileiros.

É natural de Itabuna, um município do sul da Bahia, no Brasil. Diz-nos que a sua cidade de nascimento é muitas vezes referenciada pelo cultivo do cacau e por ter um comércio muito forte, sendo assim uma região com um peso importante nas decisões políticas do país. 

Quando veio para Portugal, procurou as festas e o clima quente do Algarve, pois lá poderia mais facilmente encontrar espaço para desenvolver a sua arte – a música. Viveu e trabalhou em Albufeira durante 8 anos, onde teve oportunidade de conhecer pessoas dos quatro cantos do mundo, que passam férias naquela região. 

No entanto, e apesar de sempre ter tido trabalho, o facto de ser uma cidade flutuante, com muitos turistas, onde muitas pessoas permanecem por pouco tempo, fez com que Pingo nunca se sentisse verdadeiramente em casa.

Em 2008, vem a passeio aos Açores, mais propriamente à Ilha de São Miguel, com um amigo, tendo-se apaixonado de imediato pela ilha e pelo seu povo, decidindo então que não regressaria e que iria procurar trabalho nesta região.

Revela-nos: “Este arquipélago é uma coisa fantástica. Tem qualquer coisa mágica aqui nos Açores, que eu não sei explicar o que é. E foi esta coisa mágica que acabou me fazendo ficar cá. No meio da insegurança toda sobre o que iria ser a minha vida, cá me sentia confortável”.

Em São Miguel, facilmente estabeleceu grandes amizades, pela comunidade de brasileiros que aí reside e que é muito unida. No entanto, nos Açores, trabalhar na sua área nunca se afigurou fácil. Diz-nos que “cá existem músicos muito bons e como o mercado é pequeno e as licenças para a realização de eventos são muito caras é muito complicado conseguir viver do que a música nos dá”.

Quando questionado sobre o que mais gosta nos Açores, prontamente nos responde: “o peixe e a natureza”. Sendo que o que menos gosta é de, pelo facto de ser um meio pequeno, se sentir observado e ver a sua privacidade um pouco comprometida.

Pingo, antes de vir para cá, só tinha ouvido falar dos Açores através do serviço de metereologia na televisão e sempre teve a percepção de que ficariam localizados num lugar muito distante, que nunca iria conhecer. Hoje não se sente arrependido de ter emigrado para cá, apesar das dificuldades que teve que enfrentar.

Revela-nos que, apesar de nunca ter sido vítima de nenhum acto de discriminação mais grave, sente, por diversas vezes, algum preconceito. No entanto, consegue ultrapassar este desconforto com todas as outras coisas boas que viver cá lhe proporcionam e com a música que sempre o acompanha. Diz-nos que vê na música uma arma muito poderosa para mudar o mundo. Para Pingo a música é capaz de unir povos e destruir barreiras.

Diz-nos ainda que, nos Açores, a música brasileira é muito apreciada. Gosta de cantar diferentes estilos musicais, desde a Musica Popular Brasileira, Bossa Nova ao Samba ou ao Funk.

Para Pingo “ser emigrante é uma grande aventura, onde o maior custo é estar longe da família e amigos”.

Quando lhe perguntamos se queria acrescentar alguma informação à sua entrevista, disse-nos que gostaria de ressalvar que considera fundamental a existência e apoio de associações de imigrantes, como a AIPA, e outras entidades equiparadas, na defesa dos imigrantes, luta contra o racismo, promoção de espaços de convívio de diferentes culturas e para a representação dos imigrantes, designadamente, junto do poder político.


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