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 Virgen | “Ser imigrante não é um problema”- Cuba

Virgen | “Ser imigrante não é um problema”- Cuba

Recorda-se bem de que a primeira vez que ouviu falar nos Açores foi em 2000, através de um amigo cubano e de outros portugueses que estavam em Cuba. Disseram-lhe que São Miguel era “uma ilha muito bonita e parecida com Cuba” mas mais pequena. Um ano depois, quando veio para São Miguel, comprovou-o e adaptou-se muito: “Dou-me muito bem com as pessoas, estou à vontade”. Virgen recorda que no início “foi difícil” porque era “a primeira vez” que estava a sair do seu país mas reconhece que o facto de vir para os Açores “com mais colegas cubanos” e com um contrato de trabalho facilitou a sua integração. Esteve para ir para o México ou para a Alemanha mas veio para cá e garante: “Gostei e continuo a adorar”. Quatro dias depois de chegar aos Açores começou a trabalhar num bar cubano, o que a obrigou, desde logo, a “comunicar com as pessoas”. Já sabia dizer algumas frases que tinha aprendido com uns amigos portugueses e com um dos seus irmãos que viveu em Angola. Depressa aprendeu o português e confessa, rindo-se, que até já usa “expressões açorianas”. “Acho que a pessoa que vai para um país deve adaptar-se às regras desse país e se não te adaptas...”, assume Virgen, referindo que lhe parece que deve ser esta a atitude - “respeitar as regras do país e estar legal”. Apesar de ter vindo para os Açores com um contrato de trabalho, Virgen abdicou de alguns dos seus sonhos. Queria trabalhar com animais (tem formação técnica em veterinária) e estudou, também, para ser enfermeira mas não pode trabalhar em nenhuma dessas áreas porque, em Portugal, não consegue equivalência. Apesar das dificuldades que foi tendo que enfrentar, para Virgen “ser imigrante não é um problema, é tranquilo”. Já chegou a pensar voltar para Cuba mas como diz: “Eu aqui sinto-me muito bem. Tenho o meu trabalho e dou-me bem com os meus colegas, apesar de ser a única estrangeira”. Refere que estando cá, pode ajudar mais a família que está em Cuba e sente que aqui também já tem as suas raízes, o seu marido e os seus amigos.

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