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“Nos Açores, sinto-me mais em casa do que na minha própria terra”

“Nos Açores, sinto-me mais em casa do que na minha própria terra”

Érica d’El-Rei Perello, de 47 anos de idade, é brasileira, natural de Salvador, e reside em Ponta Delgada há 7 anos.

Érica nunca tinha pensado emigrar, mas o destino assim o quis. Foi a vinda das duas filhas para os Açores que a fez, passado um ano, vir ao encontro delas e tomar este arquipélago como casa. Revela-nos esta experiência surpreendente, que lhe permite hoje, apesar das diversas dificuldades que tem que enfrentar, dizer que “gostaria de continuar a viver cá”.

A tranquilidade é aquilo que mais gosta nos Açores, tendo-nos apontado como maiores dificuldades, ou o que menos gosta na região, o frio e a pouca oferta de trabalho.

Érica é artesã e quando questionada sobre o seu dia-a-dia e sobre o que gosta de fazer nos seus tempos livres, logo nos respondeu “Bem, não tenho muitos dias livres, pois estou sempre agarrando qualquer trabalho que aparece. Nos tempos atuais não podemos desperdiçar oportunidades”. Conta-nos que, de manhã, trabalha num café de um amigo, e, à noite, dá aulas de artes, artesanato, pintura em tela e tecido, na Ribeira Grande e na Covoada.

Nos seus tempos livres gosta de fazer as suas bijutarias ou estamparias e de estar com os amigos ou com a filha e o seu neto.

Apesar das saudades que sente da família e amigos, Érica nunca mais visitou o Brasil.

Perguntamos-lhe se, se fosse hoje, tinha tomado a decisão de emigrar ou se mudava alguma coisa, ao que esta nos respondeu “Bem, se esta pergunta fosse feita há 4 anos diria que não migraria. Mas hoje sinto-me bem aqui. Na verdade sinto-me mais em casa do que na minha própria terra.”

 

Para Érica, no início, a sua adaptação não foi fácil, como nos refere, “pelo simples facto de ser mulher e brasileira”. Foi vítima de muito preconceito e teve que batalhar e comprovar frequentemente quem era. Considera-se uma pessoa aberta e por isso julga que, depois de quebradas estas barreiras iniciais, conseguiu integrar-se plenamente, adquirindo o respeito e a confiança das pessoas e criando bons amigos, que a acompanham até hoje.  

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