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“Encontrei aqui o meu lugar no mundo”

“Encontrei aqui o meu lugar no mundo”

Miroslawa Krychowska Morais é o seu nome, tem 30 anos e nasceu na Polónia, cidade de Olesnica. O seu marido é português, hoje vive na ilha Terceira e já tem uma filha açoriana. Segundo dados do SEF, é a única polaca a residir na ilha Terceira.      

Ainda estava a estudar quando saiu pela primeira vez da sua terra natal. No âmbito do programa ERASMUS, viveu durante um ano na República Checa e lá conheceu o seu atual marido, um terceirense de raiz. Terminado o programa Europeu, ainda lhes faltava um ano para a conclusão dos seus cursos. “E para que pudéssemos ficar perto um do outro, o meu marido conseguiu um intercâmbio na Polónia, onde estudou e residiu durante um ano”. Depois, o seu então namorado regressou ao Porto, onde conseguiu emprego e Miroslawa permaneceu no seu país para a frequência do mestrado.

Esta distância não durou por muito tempo. Ao concluir o mestrado foi para o Porto, ao encontro do seu marido para o começo de uma vida a dois. No entanto, o período em que estiveram a residir no Porto foi muito curto, de um mês. “Tentei por várias vezes arranjar um emprego, mas sem sucesso. Não falava português, apenas conhecia o básico”, disse.

Na impossibilidade de encontrar emprego naquela cidade, o casal optou por vir viver para os Açores. Em Agosto de 2007, chegaram à Terceira, onde lhes esperava todo o apoio da família do marido. Nesta ilha, o esposo conseguiu emprego e ela, no âmbito do programa Estagiar L, começou a trabalhar no Museu de Angra do Heroísmo.

Da chegada, diz que se recorda “perfeitamente”. Lembra-se de sentir uma “onda de humidade”, porque o clima é muito diferente ao que estava habituada. Recorda-se do quanto foi bem recebida no aeroporto. Mas, também se lembra de ter medo. “Acho que uma pessoa sente sempre medo”, acrescentou.

À pergunta se já tinha ouvido falar nos Açores, responde que se lembra de brincar, na sua infância com uma prima, a encontrar os lugares mais distantes do mundo. E nesta brincadeira encontraram os Açores. “Não tinha ideia sequer de que pertenciam a Portugal. Só sabia que ficavam muito longe”.

Sobre as dificuldades de integração, fala-nos da língua, do clima e da burocracia. “A língua foi para mim o mais difícil de adaptar por causa do sotaque açoriano, muito carregado”, conta. Quanto à burocracia, refere-se à complicação que teve para obter a autorização de residência.

No entanto apesar destes obstáculos, conta que foi muito bem recebida. “O meu marido tem uma família muito unida e que me ajudou muito na adaptação”, acrescentou.

Quanto aos açorianos, diz que sempre se sentiu bem recebida. “Eu acho que o açoriano é um povo muito aberto e tolerante. Desde logo permitiram-me trabalhar, mesmo com pouco conhecimento da língua. Um estrangeiro no meu país não tem estas condições. Os polacos não são ainda tão abertos à imigração”.

Acrescenta que no meio laboral, sentiu a compreensão dos colegas e a curiosidade dos clientes da instituição onde trabalha. “Perguntam-me muita vez de onde sou e o que me fez vir viver para os Açores. Nunca me senti diferente, sinto-me integrada”.

Com a Polónia mantém ainda uma grande ligação. Visita a família uma vez por ano e mantém contacto através do telefone e da internet. Mas as saudades apertam sempre, sobretudo, da família e também do clima, do Inverno e de uma Primavera muito verde e com muitas flores. “E da língua. Sinto saudades de falar a minha língua”.

As memórias da sua infância e da terra natal são muitas. E recorda, sobretudo, da Páscoa e do Natal. Os costumes são diferentes e todos os anos Miroslawa faz renascer as suas lembranças. Festeja estas duas épocas com as tradições polacas.

O regresso à Polónia não está nos seus planos. “Aqui encontrei o meu lugar no mundo. Às vezes quando estou na Polónia de férias, até sinto saudades. Os Açores são a minha casa agora!”

Hoje sente que é uma pessoa diferente. “Acho que a imigração é um processo que muda muito a pessoa. Temos que renascer, aprender de novo a língua, hábitos, tradições…” Esta aprendizagem e enriquecimento tornou-a numa pessoa mais aberta e com mais facilidade na comunicação.

Mudou a sua simples forma de cumprimentar as pessoas. “Na Polónia cumprimentamos com um aperto de mão. Aqui, eu já cumprimento com dois beijinhos. Os polacos estranham este gesto.”

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