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“No Brasil era feliz e não sabia”

“No Brasil era feliz e não sabia”

O futebol fez parte da sua vida e foi esta modalidade que o trouxe nos anos 90 para Portugal. Jadilson Oliveira, 41 anos, natural do Recife, Brasil, reside nos Açores há cerca de 18 anos. Deste percurso nada se arrepende.

 

A sua relação com a bola começou quando ainda era muito jovem. “No Brasil, muitas crianças começam a praticar este desporto na rua e a partir daí descobrem-se talentos”. O de Jadilson foi também desvendado.

Na sua terra natal foi jogador profissional, de primeira divisão, até que a dada altura surge a oportunidade para emigrar, também com o futebol. O novo campo estava em Portugal, onde residiu durante um ano.

                Sobre a sua vida neste país, diz que sempre se sentiu bem acolhido. “Foi a primeira vez que estive lá e foi muito importante para mim”, acrescenta.

De um ano de Futebol em Portugal guarda, ainda hoje, boas recordações. “Fiz grandes amigos e chorei bastante quando tive de sair de lá”.

O outro rumo a que lhe levara o futebol conduziu-lhe à ilha Terceira. “O facto de ser uma ilha deu-me no início um pouco de receio, pois venho de uma grande cidade”, disse. Acrescenta que o medo passou quando conheceu pessoas extraordinárias que o acolheram muito bem. “Estive lá dois anos e foram maravilhosos ”.

Depois da ilha de Jesus e do Clube desportivo Praiense seguiu-se a de São Miguel, onde passou por diversos clubes e terminou a sua carreira futebolística. Nesta ilha “senti diferença por ser maior, com mais opções e mais coisas para ver”, declara.

Porém, a sua primeira reação quando chegou aos Açores foi complicada. “É um meio pequeno e não estava habituado. No início ficava um pouco retraído mas, depois comecei a fazer amizades e a integrar-me”.

Sobre a integração no seu percurso migratório, considerou-se privilegiado. Pertencer a uma equipa é um benefício para a adaptação de um imigrante numa terra desconhecida. “Temos sempre o apoio dos colegas e nunca se está sozinho”, conta.

Em relação à experiência do futebol em Portugal diz que foi “muito boa”. Mas, em comparação com o do Brasil refere que há muita diferença. “O futebol do Brasil é muito mais pausado e pensado. O português é muito mais velocidade e eu não estava habituado a isso”. Sentiu algumas dificuldades. Contudo, com muito trabalho e empenho conseguiu chegar, como ele próprio diz, “não à maneira como os portugueses jogam mas muito próximo”.

A despedida como jogador profissional de futebol não foi fácil. Há nove anos, Jadilson sofreu um acidente, que lhe veio a dificultar o seu regresso aos relvados. “Foi difícil ter de sair do futebol, porque para deixar de se fazer uma coisa que se gosta, não por opção, mas por uma lesão, é muito complicado”. Não foi um completo adeus ao futebol. Terminada a carreira como jogador, este brasileiro torna-se treinador das camadas mais jovens do clube desportivo do Operário.

A sua área profissional mudou completamente mas, o gosto pelo que faz contínua. Há cerca de oito anos que trabalha na área de estacionamento em Ponta Delgada. “Gosto do que faço porque há o contacto com o público”, disse.

E como é a relação com os micaelenses na altura de aplicar as multas? “É maravilhosa. Há sempre um ou outro que não gosta mas, agente se adapta bem e depois eles reconhecem que estamos a fazer o nosso trabalho”, responde em bom português brasileiro.

O “Jadilson do futebol”, como lhe chamavam antigamente, é hoje conhecido pelo “brasileiro dos parquímetros”.

Mudamos de assunto e perguntamos como está a sua relação com o Brasil. “Visitava o meu país todos os anos quando jogava futebol. Depois passei a ir lá de três em três anos. Hoje, faz cerca de quatro que não visito a minha terra”, responde.   No entanto, todos os dias fala com a família, graças ao poder da internet.  

Regressar à terra natal já não faz partes dos seus planos. “É a minha casa, o meu país mas, neste momento estou dividido. Os anos que vivi lá são os mesmos que tenho aqui a residir”, declara.

Nos Açores já se sente em casa. A esposa é açoriana e tem duas filhas, nascidas em São Miguel.

Do Brasil diz que sente falta daquilo que lhe fazia feliz e não sabia. De coisas que quando estava lá não valorizava e que só começou a dar valor quando se distanciou delas. Por exemplo? “As praias, a família, os amigos, mas também as cidades e os monumentos”.

 

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