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Nasceu há 35 anos em Angola e reside nos Açores desde 2002. No seu percurso migratório ainda conta uma permanência de quase dez anos no país do Fidel Castro.

Nasceu há 35 anos em Angola e reside nos Açores desde 2002. No seu percurso migratório ainda conta uma permanência de quase dez anos no país do Fidel Castro.

A situação política e económica da Angola determinou que viesse procurar uma vida melhor em Portugal. Como ele próprio disse, faltava “liberdade em Angola e como não tinha feito o serviço militar a qualquer altura era forçado a ir para guerra e, por isso, optei a vir para Portugal, permitindo—me igualmente, melhorar a vida em termos financeiros. Para além disso, a afinidades entre Portugal e Angola acaba por ser um factor importante na escolha migratória. No entanto, já cruzou para outras paragens da emigração. Em 1986 e à semelhança do que aconteceu com outros jovens angolanos na altura, rumou a Ilha da Juventude, Cuba, para terminar os estudos secundários e fazer uma formação profissional em construção civil. Roberto, como é conhecido pelos amigos disse “ a minha estadia em Cuba foi uma das experiências mais marcantes que já tive; sai de um país que não tinha leis nenhumas para um outro cuja leis até sufocam; aprendi a conhecer a verdadeira hospitalidade junto dos cubanos” Em 1995, regressa a Angola e ainda trabalhou durante algum tempo na sua área de formação e o último trabalho que teve foi como técnico de segurança. Com uma pausa para não perder o foi da conversa, o jovem imigrantes angolano conta que “ trabalhar como segurança em Angola, pelo menos na altura, era muito perigoso. Ganhava pouco mais de 400 dólares mas tinha sempre a vida por um fio” Em 2003, depois de ter trabalho de forma irregular como servente na construção, em Lisboa, através de um amigo cabo-verdiano que na altura se encontrava nos Açores, soube de uma oportunidade de trabalho e da forma acolhedora e respeitora que os açorianos tratavam os imigrantes. Nos Açores trabalhou como servente na construção e quase um ano que está desempregado. À semelhança do que acontece com muitos imigrantes, trabalhou sem nenhum tipo de contrato e hoje, não pode beneficiar do subsídio de desemprego. A sobrevivência é feita com os 25 euros, por semana que recebe do Instituto de Acção Social, através da Cresaçor (Centro Comunitário de Apoio ao imigrante) Enquanto não consegue um emprego, aproveita esse tempo para ganhar outras competências. Roberto já fez um curso de informática e neste momento está a frequentar um curso de empreendedorismo. O sonho mesmo, como ele mesmo descreve começará dentro de poucas semanas, quando entrar, como aluno e pela primeira vez na Universidade dos Açores para fazer uma licenciatura em Estudos Europeus e Política Internacional. “Nem querem o que eu passei para estudar a História de Portugal e ficar em condições para fazer o teste de acesso à universidade. Foi uma luta mas consegui e nós desejamos todo o sucesso do mundo. Projecto para o futuro, é mesmo melhorar de vida, terminar o curso e conseguir um emprego. Aqui ou em angola e o Roberto tem como lema ser cidadão de onde nós estamos”. Estou cá e, por isso, faço os possíveis para integrar e ser um dos novos açorianos. A saudade com a “ banda” é feita sobretudo através da música: kizomba, Semba e Kuduro são obrigatórios lá em casa…. Quando falamos da Muamba a situação complica…” não sou um bom cozinheiro.

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