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Da Alemanha para Santa Maria

Da Alemanha para Santa Maria

Helena Strubel tem 24 anos, nasceu cidade de Schifferstadt, Alemanha, mas é nos Açores que reside desde 1999. A sua mãe apaixonou-se pela ilha de Santa Maria e Helena com apenas 11 anos acompanhou-a neste percurso.

 

“Sair da Alemanha foi ideia da minha mãe”, conta. Numa revista sobre os Açores, ela viu casas à venda em Santa Maria. Então no verão de 1996 veio para cá e “em três dias comprou uma casa”. Apaixonou-se pela ilha à primeira vista. “Saiu do avião e logo se encantou por Santa Maria”. Mas esta paixão deveu-se sobretudo por não ter o stress da Alemanha e aqui ter mais qualidade de vida. Por outro lado, o sonho de sua mãe era ter uma quinta e na freguesia de Santo Espírito teve a possibilidade de o realizar.

                A jovem alemã também se encantou pela “ilha do Sol”. Em 1998, veio para os Açores, onde ficou “à experiência” durante três meses no inverno. “Estive na escola para ver se me adaptava e adorei. Disse à minha mãe que queria ficar”. E assim foi, em 99 estabeleceram-se definitivamente na ilha.

Sobre a sua primeira reação quando chegou, diz que se encantou com a natureza e os animais. “Amei o sossego da ilha”, acrescenta.

                Na escola, a interação com os novos colegas foi fácil. Conta que fez amigos rapidamente e que adorou a professora. “Ao contrário do que acontecia na Alemanha, passei a adorar a escola”, acrescentou.

E com a língua? “Em criança é tudo muito fácil. Eu convivia muito com os meus colegas e inicialmente falava com eles por sinais”. Acrescenta que rapidamente aprendeu a falar português de tal forma que hoje prefere falar e escrever esta língua do que o alemão.

                A adaptação na ilha também foi fácil. “É muito calma e por isso gostei muito”, conta.

Quanto aos marienses, refere que são muito simpáticos e que se sentiu bem recebida. “São também muito curiosos, quando veem uma cara diferente perguntam de onde veio”, declarou.

                À semelhança de muitos jovens das ilhas de coesão, Helena Strubel também sentiu a necessidade de sair de Santa Maria à procura de um futuro melhor. E assim foi, em 2007 ruma à ilha vizinha, São Miguel, onde surgiu a possibilidade para trabalhar numa agência de viagens. “O diretor queria alguém que falasse alemão. Aproveitei a oportunidade e fiquei a trabalhar durante 4 anos e meio”, conta. Recentemente mudou-se para outra agência.

                Sobre esta experiência, refere que adorou e espera continuar. “Para além de falar muito português ainda tenho a possibilidade de treinar o meu alemão”, acrescentou. Esteve cerca de oito anos sem escrever esta língua e simplesmente falava o dialeto da sua cidade. Pelo que não esconde as dificuldades que teve em aperfeiçoar a sua língua. “Mas hoje em dia tornou-se num hábito”, acrescentou.

Passou a adorar turismo e por isso pretende prosseguir os estudos nesta área. “Penso que esta é uma das áreas que terá mais futuro nos Açores”.

                A propósito perguntamos sobre o potencial turístico das ilhas. “Estamos a atravessar uma época difícil mas eu acredito que o turismo aqui tem potencial. Os Açores são uma região muito bonita e que atrai muitos turistas”, respondeu.

                Em São Miguel diz que não teve muito tempo para com os micaelenses. “Vim para cá com um objetivo”. Entre o trabalho e a escola porque concluiu o 12º ano no ensino noturno, restava-lhe pouco tempo para conviver e conhecer pessoas.             

                Perguntamos-lhe como está a sua relação com a Alemanha. Após oito anos sem visitar o país de origem, em 2008 surgiu a oportunidade. “Eu estive com toda a minha família e foi muito bom para matar as saudades”. No entanto, acrescenta que foi muito estranho aquele regresso. “Senti-me estranha no meu país”. Conta que foi esquisita a chegada ao aeroporto e “ver tudo em alemão” e, por outro lado, sentiu-se como uma turista na sua terra.  

                Já te sentes uma açoriana? Respondeu que apesar de ter orgulho em dizer que é alemã por vezes considera-se açoriana. “Se me sinto imigrante? Como já faço grande parte da minha vida cá, respondo que não me sinto imigrante, a não ser a nível burocrático”.

O regresso à terra natal já está fora de questão. “Ficaria na Alemanha simplesmente por uma temporada. Agora para ficar não. Gosto do que faço aqui e estou mesmo bem nos Açores.”

 

 

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