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Apesar do bom acolhimento ainda existe discriminação

Apesar do bom acolhimento ainda existe discriminação

Lúcia Coelho tem 29 anos e nasceu em Minas Gerais, no Brasil. Há 8 o seu marido recebeu uma proposta para trabalhar em São Miguel e Lúcia teve de o acompanhar neste novo percurso.

 

“Eu nunca me imaginei nos Açores”, responde relativamente à sua chegada.

A beleza da natureza e o mar contribuíram de forma positiva para a sua adaptação. Coisas que em Minas Gerais não tinha acesso. Por outro lado, conta, que estranhou o clima. “Inicialmente achava que era muito frio, mas acabei por me acostumar”, acrescentou.

                Por parte da sociedade açoriana refere, que nos primeiros dias da sua estada em São Miguel, sentiu-se bem recebida e ainda o sente. “Mas não posso dizer que a dada altura não sofri alguma discriminação”, disse. Falando neste tema, perguntamos à jovem brasileira se hoje sente discriminação. A resposta dela foi redonda:

 “Sim. É inacreditável que, depois de tantos anos de império colonial, da ida de tantos portugueses para outros países, incluindo Brasil, e recentemente a vinda de muitos imigrantes para cá com perspetivas de trabalho, que ainda haja discriminação”.

Acrescentou que é importante que a população açoriana perceba que os imigrantes “também fazem a sua parte”, pagam os seus impostos e cumprem os seus deveres.

“É pena que numa cultura como esta, em que há pessoas maravilhosas e acolhedoras que também haja quem ainda não aceita bem o outro”.    

                No que diz respeito à sua vida académica, conta que no Brasil concluiu o 12º ano e em 2008 ingressou na Universidade dos Açores para o curso em Educação Básica, à procura de realizar o sonho que sempre alimentou para ser educadora de infância. “Estou a gostar muito do sistema de ensino e do curso porque é muito dinâmico”, refere.

                Em 2004, ano em que veio para os Açores, eram maiores as possibilidades de emprego e, para Lúcia, as oportunidades para trabalhar surgiram-lhe diversas vezes. Hoje as coisas mudaram. “Com esta crise, as pessoas têm mais medo e não abrem tanto as portas como antes”, disse.

Por causa da atual situação, as probabilidades de regressar ao Brasil são muitas. Mas agora Lúcia tem por objetivos terminar o seu curso e depois tentar exercer a profissão que ambiciona.

Destes 8 anos a residir nos Açores, o balanço que faz é positivo. Conta que aprendeu muito, conheceu “este sítio lindo” e também muitas pessoas.  

“Quando for para o Brasil vou uma pessoa diferente”, concluiu.

 

Rumos Cruzados, 17 de maio de 2012. 

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