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Um músico cubano em terras açorianas

Um músico cubano em terras açorianas

Nome: Pedro Machado

Idade: 39 anos

País:  Cuba, na cidade de Santiago 

 

Nasceu em Cuba, na cidade de Santiago, em 1972. A música surge na sua vida ainda em criança. E foi esta carreira musical que o trouxe para os Açores no ano de 2001. 

Tudo começou em Cuba. Pedro Machado tinha apenas 12 anos quando começou a tocar o seu primeiro instrumento. Conta que passou por uma loja com a mãe e viu um violão pendurado. “Não era para o comprar, mas eu chateei tanto a minha mãe que acabei por ficar com ele”. A partir daí começou a aprender com os rapazes que tocavam no seu bairro e passou logo a integrar numa banda com estes jovens. “Actuávamos na casa da cultura da nossa localidade”, acrescentou. Mais tarde, conhece uma pessoa que o integra no mundo profissional da Música, entra numa escola de preparação profissional e três anos mais tarde termina o conservatório. “Até que finalmente comecei a trabalhar e montei a minha orquestra profissional”, disse.  

Em Cuba, Pedro Machado esteve também, durante 5 anos, no conjunto nacional de Folclore, onde revela ter viajado um pouco por todo o mundo. Até que em 2001 surge uma proposta para vir para os Açores e aceitou.

Nesta altura, ia abrir um novo bar em Ponta Delgada e foi neste estabelecimento que Pedro trabalhou como músico profissional. “Depois o contrato era constantemente renovado e acabei por me deixar ficar cá até hoje”, conta. No entanto, este bar acabou por fechar portas, porém mais tarde surgiram novas oportunidades em outros bares e restaurantes em Ponta Delgada.

Em São Miguel fez também parte de várias bandas já formadas. E nesta ilha, formou ainda a sua própria banda, o Afrocuban, que inicialmente era constituída por 4 Cubanos, mas depois passou a designar Afrocuban Trio. “Apresentávamos ao público músicas cubanas, mas também do centro de América e internacionais”. A adesão dos açorianos para estas músicas foi uma surpresa para este cubano. Inicialmente, pensava que a banda iria apresentar uma novidade nos Açores, no entanto, surpreendeu-se com a quantidade de açorianos que já conheciam as músicas.

Relativamente à sua integração nos Açores, o músico referiu que inicialmente foi difícil, pois o arquipélago é totalmente diferente do seu país de origem. “Mas sempre acabamos por nos adaptar”, disse. Quanto à língua, diz que não foi muito difícil a adaptação, uma vez que, já tinha estado no Brasil e se familiarizado com o português. Acrescentou ainda que por parte dos açorianos sempre se sentiu bem recebido e nunca teve problemas.

 No que diz respeito ao panorama musical açoriano, para Pedro Machado os Açores têm uma boa cultura musical e grandes artistas na área da música regional. No entanto, lamenta o facto de não haver uma produção ou uma instituição que se dedique a estes artistas. “Os artistas açorianos podiam levar a sua cultura ao mundo, mas infelizmente muitas vezes têm de partir para outras partes do globo para conseguirem alguma coisa nesta área”, acrescentou.  

 Face ao momento de crise que nos encontramos, o músico declarou que a sua carreira musical está numa fase de “semi-pause”. Nesta circunstância, as instituições têm dificuldades em investir em músicas ao vivo. E, por outro lado, os Açores têm por ano poucos festivais. No fundo, “o arquipélago tem pouca animação cultural com música. E este é o problema que os artistas sentem neste momento”.    

Desde que se encontra nos Açores, Pedro Machado não regressou mais a Cuba. Gostava de fazê-lo, no entanto, referiu que a única relação que tem Cuba é com a sua família, porque com o país tem pouca ligação ou quase nenhuma. “Não é por minha parte mas sim por eles, porque não se preocupam com aqueles que saíram do seu país. É triste como o Português preocupa-se mais com o imigrante cubano do que o nosso próprio país”, acrescentou.

Este arquipélago fá-lo sentir com 50 por cento de saudades de Cuba, pois também existem coisas em Comum. As tradições religiosas e as festas populares são exemplos da ligação cultural entre Cuba e os Açores. “No entanto, a nível de clima, sol e de praias é muito diferente e de isso sim tenho saudades”. Também o ambiente musical é distinto, em Cuba existem mais artistas e mais eventos musicais. “E claro também sinto falta dos meus amigos, das pessoas que conheço desde infância. Mas se um dia sair daqui, também vou sentir saudades, foram muitos anos aqui e já fiz muitas amizades”.

Relativamente às perspectivas para o futuro ainda estão incertas. Sair de Portugal não está nos seus planos, mas o músico deixa claro que se as continuarem como estão, sair do país para procurar novas oportunidades será a solução.  

Para terminarmos a conversa pedimos que fizesse um balanço deste percurso migratório. E para Pedro Machado este foi positivo. No dia em que tiver de ir embora sabe que vai, mas que ficou um pouco de si e da sua cultura nos Açores. “Para os açorianos já não será estranho ouvir música cubana tocar porque já a conhecem e estão familiarizados. Estou muito satisfeito, porque era este o meu objectivo. Trazer uma coisa nova para os Açores, que viesse para ficar e não fosse passageira.” 

 

Rumos Cruzados, 23 de Fevereiro de 2012. 

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