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Do Canadá para os Açores

Do Canadá para os Açores

Nome: Fernando Matos

Idade: 29 anos

País: Canadá

Formação Académica: Licenciado em Economia e Mestre em Ciências empresariais

 

Muitos foram os açorianos que nos anos 70 decidiram emigrar à procura de melhores condições de vida, com incidência para o Canadá e Estados Unidos.

Os pais de Fernando Matos são um exemplo claro desta mobilidade. O pai, da ilha Terceira, e a mãe, de São Jorge, conheceram-se numa pequena vila rural de Toronto, no Canadá, lá se casaram e tiveram o seu único filho, o Fernando. Em 2001, decidem regressar aos Açores e Fernando não deixou de os acompanhar.

         No Canadá, na vila onde viviam existia uma comunidade portuguesa “muito forte”, onde a cultura e língua portuguesa eram mantidas. “Um emigrante português quase que pode viver lá uma vida toda sem aprender a falar inglês”, disse Fernando. Em casa, as tradições também foram salvaguardadas: “a começar pelo meu próprio nome que no Canadá não é muito normal, mas aqui é vulgar”, explicou. O português foi sempre a língua de comunicação entre família Matos e o inglês para o Fernando só era utilizado na escola e com os amigos.

         Aos 19 anos, Fernando acompanha os pais e vai viver para a ilha Terceira. “No início não sabia muito bem o que tinha à minha espera, não tinha grandes expectativas de vida”, no entanto, acrescentou que trouxe sempre consigo a intenção de fazer um curso superior na área de economia e Finanças. E foi o que aconteceu em 2002 ingressa no curso de Economia da Universidade dos Açores.

Relativamente à sua adaptação, Fernando Matos revelou-nos que foi nesta altura que mais se sentiu canadiano. “Devido ao choque de culturas, pois apesar de no Canadá dar para falar português e de conviver com muitos portugueses, não deixei de me sentir canadiano. A própria forma de vestir e de estar são diferentes”, disse. Também o simples acto de se cumprimentar uma pessoa é desigual: “Lá tudo se cumprimenta com um aperto de mão, aqui há sempre o hábito de se ver uma pessoa mais conhecida ou um familiar e dar-se dois beijinhos”. Em relação à língua, o economista só teve dificuldades na candidatura ao ensino superior devido ao nível de português que é exigido. “A minha adaptação foi fácil mas requereu muito trabalho”, acrescentou.

Sobre a sua integração junto da população, Fernando respondeu que os açorianos têm sempre aquele estigma para com o emigrante que regressa. “Inicialmente olhavam e comentavam mas, com o tempo e depois de nos conhecerem as coisas melhoram”.

         Perguntamos-lhe como está a sua relação com o Canadá. Respondeu-nos que nunca mais regressou, mas que está com planos de voltar num futuro próximo. “Deixei lá amigos e colegas que gostava de rever. Como diz o meu pai “Não fiquei devendo nada a ninguém e por isso pretendo regressar”, adianta. E para viver? “Para viver não porque neste momento tenho cá o meu emprego e objectivos pessoais e profissionais. Mas eventualmente se tivesse algumas dificuldades não teria outra alternativa”.

Para terminarmos a conversa desafiamo-lo a fazer um balanço deste seu percurso nos Açores. “O balanço que faço é bastante positivo, consegui adaptar-me à cultura e alcançar aquilo que as pessoas esperavam de mim e aquilo que eu esperava de mim próprio.” 

Rumos Cruzados, 12 de Janeiro de 2012.  

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