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Encantado com o sossego da ilha e simpatia das suas gentes

Encantado com o sossego da ilha e simpatia das suas gentes

B.I

Nome: Bernardino Tavares Mendes

Idade: 55 anos

Profissão: É empresário de Construção Civil

Lema de vida: trabalhar por um futuro melhor

Passatempo favorito: estar em casa, passear e ver notícias e futebol.

 

Bernardino Mendes é um cabo-verdiano de 55 anos. Em 1971 saiu da Praia, ilha de Santiago, onde nasceu e iniciou o seu percurso migratório. Viveu durante 36 anos em Portugal Continental e construiu a sua empresa de Construção Civil. Como consequência da crise do sector no continente, em 2007, transferiu-se para a Ilha Terceira.

Aos 14 anos, conta, “já tinha a certeza de queria sair de Cabo-Verde”. Segundo Bernardino Mendes, desde pequeno que sempre teve em mente a ideia de emigrar e procurar uma vida melhor mas, sobretudo, com o objectivo de ajudar a sua família. A decisão de emigrar, sem os recursos necessários para o fazer, não foi bem aceite pelos pais. “Cheguei inclusive a dizer-lhes que se não tivesse a aprovação deles fugiria de casa”, relembrou. Acabaram por aceitar a decisão do filho e ajudaram-no na sua vinda a Portugal. Em 1971, Bernardino, com 15 anos, sai da sua terra natal rumo a Portugal em busca de uma vida que sempre sonhou. Contam-se 36 anos o tempo que viveu neste país. E como o próprio referiu: “vim, gostei, trabalhei, triunfei e dentro dos possíveis cumpri o objectivo de ajudar os meus pais”. No Continente criou a sua própria empresa de construção civil que “durante muito tempo esteve bem”. Mas, nos últimos anos o trabalho começou a escassear e, influenciado por um primo, pondera residir na ilha Terceira. “Eu estava preparado para refazer a minha vida noutro país porque nesta altura surgiu-me uma proposta para trabalhar em Barcelona”, explicou. Recusou e em 2007 veio viver para os Açores. Porque optou vir para os Açores? “O meu primo que residia na Terceira disse-me que a falta de emprego ainda não tinha chegado aos Açores e que cá poderia triunfar”. Por outro lado, admitiu ter sido também influenciado pelo conhecimento da existência de muitos conterrâneos na ilha e pela boa impressão que tinha de todos os açorianos com quem trabalhou no continente. Sobre a primeira impressão que teve dos Açores na sua chegada, Bernardino respondeu que se encantou com o sossego da ilha e com a simpatia das suas gentes. No entanto, também sentiu-se desiludido. “As condições de trabalho na empreitada que vim a fazer não eram as melhores e para que pudesse trabalhar com a minha empresa na Região tive de cumprir com muita burocracia”, contou. Mas, reforçou que aquilo que mais preza na ilha Terceira é o sossego e a possibilidade de estar mais próximo dos seus conterrâneos. “Não quero voltar a viver em Lisboa. Não consigo voltar ao desassossego de uma cidade que nunca pára”. Bernardino Mendes, questionado sobre as dificuldades de adaptação, referiu a burocracia como ponto negativo para a integração de um imigrante. “De resto não tive qualquer problema para me adaptar”, acrescentou. Sentiu-se bem recebido pelos açorianos e facilmente fez grandes amizades. Em Cabo Verde tem o seu pai, irmãos e filhas com quem fala de 15 em 15 dias. A última vez que esteve na sua terra natal foi em 2000 e por isso como refere “as saudades já apertam”. Adoraria ir a Cabo Verde com maior frequência, mas os custos de deslocação impedem-no de visitar a família mais vezes. E pensa em regressar? “Isto é uma coisa que não me sai da cabeça, mas não sei o que o futuro me reserva. Se tiver a possibilidade gostava de voltar”, responde. Para terminarmos a conversa desafiámos Bernardino a fazer um balanço do seu percurso migratório. “O balanço que faço é positivo e não me arrependo de ter emigrado. Mas devido à situação do país e da região não aconselho um cabo-verdiano a emigrar neste momento para Portugal”.

Rumos Cruzados, 1 de Dezembro de 2011.

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