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Oscar Reis, Um Cirurgião crioulo em terras açorianas

Oscar Reis, Um Cirurgião crioulo em terras açorianas

Fala-nos um pouco do seu percurso.

Findo o liceu, concorri para o curso de medicina em Portugal. A minha opção por Coimbra teve influência de um colega do liceu que tinha conseguido uma bolsa de estudos para fazer engenharia em Coimbra no ano transacto e que me dizia Coimbra era mais económica para um estudante viver. Fiz, neste sentido, a proposta ao meu pai, que concordou. Quando já me encontrava no 3º ano do curso, as minhas duas irmãs mais novas quiseram continuar os estudos em Coimbra. Nessa altura, entendi que seria muita despesa para o meu pai resolvi optar por futebol (profissional B como se chamava na época) com fonte de rendimento e desde essa data passei a viver do ordenado do futebol até ao final do curso. A ideia do futebol também teve influência de dois colegas mais velhos que jogavam futebol profissional e que jogávamos juntos pela selecção da faculdade de Medicina e que, infelizmente, não viriam a terminar o curso de medicina por terem optado pela carreira de futebolista profissional.

Depois veio a ruptura com futebol?

No último ano do curso fui obrigado a ter de fazer uma opção com a entrada do novo curriculum do curso. Nessa altura, jogava no Clube União de Coimbra. Foi uma decisão difícil. Fiz a rescisão do contrato de futebol em Janeiro de 1987 e terminei o curso sem ter perdido nenhum ano, em Outubro desse mesmo ano. Em Janeiro de 1988 iniciei o internato médico pela valência de Saúde Publica no Centro de Saúde de Arganil e o restante internado no Hospital Distrital da Figueira da Foz onde também fiz a maior parte do meu internado da especialidade de Cirurgia Geral.

E o Açores, como é que apareceram neste trajecto?

Foi por mero acaso. Era preciso ocupar uma vaga e a seguir pedir transferência para o hospital da Figueira da Foz. A transferência não se concretizou. Entretanto, posteriormente, surgiu vários convites de hospitais no Continente mas optei por ficar na Terceira.

Como é que sentes a viver na Ilha da Terceira?

Sinto-me muito bem. Tenho um núcleo de amizade muito boa e povo é meu amigo.

Como é que achas que a sociedade açoriana, em particular, a terceirense recebe os imigrantes?

Julgo que a Terceira tem características peculiares. Lembro-me de comentar com a minha mulher e com amigos, por varias vezes, da forma como os “patrícios”cabo-verdianos encontravam-se integrados no meio sócio-cultural e como os Terceirenses os acariciavam.

Pensas regressar definitivamente a Cabo Verde

Todo o Cabo-verdiano trás constantemente no pensamento um dia regressar definitivamente.

 

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