AIPA

"Não quero perder a minha identidade"

Nome: Maria Regina Oliveira

Idade: 49 anos

Nasceu: Brasil, cidade de Osório

Formação Profissional: Professora de História, Pós graduada em História

Lema de vida: Ajudar o próximo

Passatempo favorito: ler

 

Porquê os Açores? Eu trabalhei durante muito tempo em Museus, espaços culturais e fiz um trabalho de pesquisa independente sobre as festas do Espírito Santo, em que durante 3 anos corri todas as ilhas do arquipélago. Depois fui convidada para fazer algumas palestras em São Miguel. Eu gostei muito da ilha e já estou cá a viver há um ano e meio.

Quando chegou qual foi a sua primeira reacção? A primeira vez que vim aos Açores foi há 10 anos. Na altura achei o povo açoriano muito fechado, mas acolhedor para com as pessoas que chegam de visita. No entanto, a situação é outra quando o de fora vem viver para cá. Havia uma grande rejeição para com os imigrantes e, sobretudo, mulheres brasileiras. Actualmente nota-se que houve evolução, mas ainda persiste um certo preconceito. Parece que tenho de provar com um documento que sou uma pessoa íntegra, com carácter e que não vou criar problemas. Às vezes pergunto-me: Será que o português ou o açoriano que emigra passa por tudo isto que eu passo aqui?

Quando veio para cá viver teve dificuldades de adaptação? Eu principalmente tive dificuldades de documentação porque é muita burocracia. Por outro lado, na primeira vez que eu vim aos Açores estranhei quando as pessoas me chamavam de imigrante. Esta palavra não existe para os brasileiros.

Disse que fez um trabalho de pesquisa sobre as festas do Espírito Santo nos Açores. O que pensa da cultura açoriana? Eu gosto muito da cultura açoriana e, sobretudo, desta parte cultural das festas do Espírito Santo. É uma parte que me chama muito a atenção e cada vez que pesquiso mais informação, encontro sempre coisas interessantes.

Falando do seu país. Como está a sua relação com o Brasil? A minha relação com a minha terra está boa. Estou sempre por dentro das notícias da minha cidade, ouço a rádio local todos os dias e comunico com a família e amigos por telefone e através do Facebook.

E do que é que sente mais saudades? Eu sinto saudades sobretudo do povo brasileiro. As pessoas da minha terra são menos desconfiadas e mais acolhedoras. Aqui parece que temos de provar como uma documentação aquilo que realmente somos. No Brasil a nossa palavra basta.

Pensa em regressar? O meu primeiro objectivo na minha vinda para cá foi o de fazer o mestrado. Como na minha região temos falta de profissionais na área cultural, certamente terei um emprego garantido lá. Por outro lado, se conseguisse realizar-me profissionalmente aqui, só regressaria ao Brasil de visita. Eu gosto desta ilha, aqui sinto-me como que se estivesse na minha terra.

Que balanço faz deste percurso migratório? Durante este ano e meio eu tentei-me cuidar para não perder a minha identidade. Quero ser eu, sorrir, brincar e falar com as pessoas sem ter medo daquilo que elas sejam. É claro que temos de nos adaptar ao lugar que escolhemos para viver, mas também acho que temos de deixar uma boa impressão da nossa personalidade.

Rumos Cruzados, 11 de Agosto de 2011.

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter