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Está fora de Cabo Verde há 39 anos e nunca voltou

Está fora de Cabo Verde há 39 anos e nunca voltou

Nome: Mamede da Silva Freire

Idade: 58 anos

Nacionalidade: Cabo-verdiana (ilha de Santiago)

Profissão: Pescador

Passatempo favorito: Estar com os amigos e divertir-me

Mamede Freire tem 58 anos e é cabo-verdiano de origem. A falta de chuva em Cabo Verde fez com que emigrasse para Portugal. Hoje o seu grande sonho é (re) visitar a terra que em 1972 o viu partir.

Porquê os Açores? Eu vim para cá para fazer a minha vida. Primeiro, fui para o continente, onde trabalhei na construção civil, depois comecei a trabalhar como pescador e tive um amigo que me convidou a vir pescar para o mar dos Açores. Tinha cá os meus primos, conheci a minha mulher que era de S. Miguel e, desde então, deixei-me ficar.

O que fazia na sua terra antes de vir para Portugal? Em Cabo Verde, eu era pastor e tinha a minha quinta. No entanto, com a raridade da chuva tive de emigrar para Portugal. Se a chuva tivesse caído eu não tinha deixado a minha terra por nada deste mundo.

Quando chegou o que achou de São Miguel? Eu gostei da ilha em si, da vivência e das pessoas. É tudo muito sossegado e vive-se em paz.

No início quando saiu de Cabo Verde sentiu dificuldades de adaptação? Eu saí de Cabo Verde, em 1972, fui para o continente trabalhar e adaptei-me bem ao país, pois gostava de lá viver.

Como está a sua relação com Cabo Verde? Apesar de não ir a Cabo Verde há perto de 40 anos, ou seja, desde que saí de lá, ainda mantenho ligação com a minha terra. Todos os dias telefono para a minha mãe para saber como está a sua saúde e, também, falo com regularidade com o meu irmão.

Gostaria de regressar? Sim, adorava. Eu sei que se for lá agora não vou conhecer a minha terra. Mas, queria muito ir a Cabo Verde, só para ver a minha mãe e estar com ela por algum tempo.

Podemos dizer que é um sonho que tem agora? Sim, porque dizem-me que Cabo Verde está um arquipélago bonito e quero ver como está. Por outro lado, gostaria de lá ir antes de a minha mãe morrer, pois ela já está velhinha.

Como vê o seu futuro? Pensa ficar cá? Eu neste momento não sei como vai ser o meu futuro. Tenho os meus filhos no Canadá. Se eles quiserem que eu vá ter com eles, eu vou porque já tenho idade e também não fico sozinho aqui.

Temos uma grande comunidade cabo-verdiana nos Açores. Fez muitas amizades com os seus conterrâneos na ilha? Sim fiz muitos amigos aqui, cabo-verdianos e açorianos também. Às vezes juntamo-nos todos num café, contamos histórias da nossa terra e, assim, matamos um pouco de saudades de Cabo Verde.

Vive muitos anos fora da sua terra. Em termos pessoais, como se sente neste momento? Eu neste momento sinto-me cabo-verdiano mas, também açoriano, porque a minha família é daqui. No entanto, Cabo Verde será sempre a minha terra, nunca a vou esquecer e se tiver de morrer que seja lá.

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