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”Levei uma injecção de vida”

”Levei uma injecção de vida”

Nome: José Francisco Barani Martinez

Idade: 71 anos

Nacionalidade: Matança (Cuba)

Actividade Profissional: Músico

Lema de Vida: “Viver considerando as pessoas para que eu possa ser considerado”

Passatempos Favoritos: leitura

José Martinez reside nos Açores desde 2001.

Como foi a sua vinda para os Açores? Eu vim para cá com um grupo de cubanos a convite do arquitecto Jaime Veiga para fazermos a abertura da discoteca El Cubanito. Depois continuamos a trabalhar para ele e fizemos também a abertura do seu restaurante de comida latina e mexicana, o La Cucaratcha. E, assim, com o passar do tempo obtivemos a autorização de residência que nos permitia trabalhar e aqui estou.

E como foram os primeiros tempos aqui nos Açores? No início tinham nos dito que íamos para o Algarve, por isso, fiquei um pouco confuso. Só soube que vinha para os Açores no dia em fui fazer a carta de solicitação na Embaixada de Portugal em Cuba. Chegamos no dia 16 de Agosto pela manhã e desde esse dia a minha vida foi só trabalho aqui nos Açores. Os primeiros meses foram um pouco complicados, eu senti-me como alguém que tivesse fugido do seu país e, também, quase humilhado porque há uma classe aqui que rejeita a pessoa de cor e confrontei-me com situações de rejeição. Para mim isto foi muito chocante porque em Cuba não há raças, somos todos iguais. No entanto, gostei de São Miguel e já visitei duas ou três ilhas do arquipélago. Já fiz muitas amizades aqui na ilha, sobretudo, na minha área. Eu fui contratado por Michael, proprietário do restaurante Colégio 27 e, através de Alfredo Molina, também cubano, formamos a banda “Mescla” e tinha este nome porque era formada por gente de vários países, os quais ofereciam conhecimento e a sua cultura ao povo açoriano. Tínhamos um sueco, o Mike, Paulo Vicente, um pianista, Diego, um baterista brasileiro, Alfredo, Pedro Machado, um baixista e guitarrista, e eu que tocava trompete. Hoje já não faço parte de nenhuma banda porque não posso, pois estou a tentar reformar-me mas, se me convidam vou para não ficar aborrecido. Agora trabalho por amor à arte.

Veio sozinho para os Açores? Sim vim sozinho e, por vezes, até sinto medo porque a solidão não é boa companheira.

Qual a relação que mantém com Cuba neste momento? Eu sempre tive boa relação com o meu país. Nós, os cubanos, temos uma coisa muito singular, é que quando saímos da nossa terra, independente da situação, queremos logo regressar de visita ao país, pois sentimos falta daquele açúcar de cana, do sol, praia e da forma de ser dos cubanos (muito hospitaleiros). Ainda este ano estive em Cuba e para mim foi o melhor ano em cinco anos porque tive a sorte de ver meu filho e conheci os meus dois netos. Foi como que se levasse uma injecção de vida. Como vê o panorama musical dos Açores? Infelizmente aqui não há vida para um músico. Acho que já é a altura dos dirigentes da cultura açoriana criarem, em Ponta Delgada, uma orquestra. Aqui há bons músicos açorianos, mas que têm de fazer um grande esforço para se manterem.

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