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"Sou metade açoriana e metade cabo-verdiana"

BI

Nome: Arminda Fortes

Idade: 57 anos

Lema de Vida: Estar com os pés bem assentes no chão, viver cada dia de cada vez e não dar um passo maior do que a perna.

Passatempo Favorito: Cozinhar e ver televisão

 

Nasceu num pequena localidade piscatória na Ilha de S. Nicolau, em Cabo Verde com um nome, no mínimo, curioso: preguiça. Trabalhou em Roma e Peniche mas é nos Açores que reside há 32 anos. Sonha abrir um restaurante de sabores africanos. Diz a Arminda e com a razão:” que a esperança é a última a morrer”.

Conta-nos sobre o teu percurso migratório. Depois da independência as coisas não estavam fáceis. A irmã mais velha, que entretanto, estava a trabalhar em Itália, conseguiu arranjar-me um contrato de trabalho. Estávamos em 1975.

Foste trabalhar em que área? Em Itália estava a trabalhar como doméstica e lembro-me que nos primeiros tempos em Roma sentia as imensas saudades de Cabo Verde. Só queria regressar para o meu país.

Como é que “matavas” as saudades? Ouvia a música o tempo todo. Lembro-me que tínhamos um gira-discos (dos antigos) que nos permitia enganar a saudades. Os Açores como é que surgiram neste percurso? Depois de dois anos em Roma, estive ainda a trabalhar durante um ano no continente. O meu marido estava a trabalhar nas pescas em Peniche e foi contratado por uma empresa açoriana para vir trabalhar em S. Miguel. Como o salário era melhor nem sequer vacilamos em mudar para o arquipélago. No dia 25 de Agosto de 1979 cheguei a Ponta Delgada, algumas semanas depois do meu marido.

O que guardas desta chegada? Guardo uma excelente recordação. O meu marido estava a trabalhar naquela noite e, por isso, não me foi buscar ao aeroporto. No seu lugar, foram colegas açorianos de trabalho que me receberam, desde primeira hora, como família. Nunca me tinha passado na cabeça vir viver nos Açores mas sinto-me muito bem aqui. Os Açores fazem-me lembrar o meu país. Nasci rodeada de mar e aqui o que não me falta é o mar.

Não resisto e pergunto como é que sentes entre os Açores e Cabo Verde? Sinto-me no meio. Sou metade açoriana e metade cabo-verdiana e sinto orgulho desta condição. Três dos meus cinco filhos nasceram aqui. Fiz a minha vida e sempre fui bem tratada aqui mas também não posso esquecer a minha terra.

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