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 “Foi como tivesse renascido…”

“Foi como tivesse renascido…”

B.I

Nome: José Manuel Vieira

 Idade: 53 anos

Nacionalidade: São Tomé e Príncipe

Formação Académica: Polícia

Passatempo Favorito: Praticar desporto nos tempos livres

Polícia de profissão há 28 anos, José Vieira é um santomense que reside nos Açores há 36 anos. O pai é da Ilha das Flores e a mãe de São Tomé.

Fale-nos um pouco do seu percurso migratório. Eu resido nos Açores há 36 anos. No início custou-me um bocado a adaptar, devido à mudança do clima e do ambiente, mas hoje já estou completamente adaptado. No entanto, a viagem que fiz em Julho a São Tomé abriu-me uma ferida que já estava sarada há muito tempo. Mas com que idade chegou aos Açores? Eu tinha 17 anos quando cheguei cá e já com alguma vivência de São Tomé, pois fiz lá os meus estudos. Vim para os Açores, no dia 6 de Janeiro, no paquete Wich e nunca mais me esqueço. Foi um dia muito triste, porque saí sem data de regresso. Este retorno foi sempre adiado, até que um dia levantei-me e disse ao meu filho: vamos a São Tomé! A melhor maneira de renascer foi ter ido visitar a minha terra.

E qual foi a sensação de ter voltado passado estes anos todos? Fiquei com a sensação de que tinha nascido de novo. Quando cheguei ao aeroporto de São Tomé não acreditava que estava lá. Mas depois comecei a ver aquelas montanhas, aquele verde e a respirar aquele ar puro e fiquei com a certeza de onde estava.

E ainda tinha lá familiares? Sim, ainda tenho lá familiares e muitos amigos de infância. Fui muito bem recebido por eles, não há palavras para descrever. Fui procurar os meus amigos, comoveu-me bastante ver aquelas pessoas, aquilo que deixamos e encontrá-las depois naquela situação. Também impressionou-me bastante a maneira como fui recebido e a atitude destas pessoas a dizerem-me: Sempre foste humilde, porque se não fosses humilde estavas no teu conforto, num hotel, e não andavas à nossa procura. Nas duas semanas em que estive lá procurei pessoas que tinham trabalhado na fazenda do meu pai e encontrei, por acaso, a pessoa que me ensinou a andar de cavalo. Para mim foi como tivesse renascido, vim de lá novo.

Voltando um pouco atrás. O seu pai é dos Açores? Sim, ele é da ilha das Flores e a minha mãe é de São Tomé e Príncipe. O meu pai foi para São Tomé como militar e foi nesta altura que conheceu a minha mãe, casaram-se e eu nasci. A certa altura, o meu pai deixou a vida militar e como tinha lá umas fazendas, dedicou-se à agricultura de café e cacau. Após 25 de Abril, viemos para a ilha das Flores. Custou-me imenso a adaptar aquela ilha por causa do clima e dos temporais que fazia na altura.

Pensa voltar a São Tomé mais vezes e que relação tem neste momento com a sua terra? A relação que tenho com São Tomé é tão forte que tenho de regressar lá o mais rapidamente possível. Eu agora estou numa fase de reconstrução da minha vida e prometi à minha namorada leva-la de viagem à terra que me viu nascer e crescer.

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