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Nasceu em França e é Gestora Intercultural

Nasceu em França e é Gestora Intercultural

B.I

Cidade Preferida: Fica por conhecer

Um livro de referência: 'A volta ao mundo' do poeta francês Blaise Cendrars. Porque fala das viagens, de travessia, de barco e de amor.

Um objecto de estimação: O meu caderno de esboço porque é um espaço de liberdade. Escrevo, copio citações que me inspiram, desenho.

Uma palavra para descrever os Açores: força

Relativamente aos teus estudos onde os fizeste? Eu estudei numa escola espanhola em Paris. Aos 19 anos tive uma crise cultural identitária porque eu não sabia quem era e tinha a impressão que eu era resultado de uma intensa mistura. Então decidi ir para a China estudar, saber como é, conhecer a língua e também para descobrir a minha “costela” chinesa. No entanto, só estive lá seis meses, porque não gostei, não me adaptei àquele país e eu era demasiado jovem. O meu pai não percebeu e ficou zangado comigo porque na cultura chinesa eu teria perdido a honra. Foi tudo muito duro para mim. Quando regressei a relação com o meu pai ficou muito afectada, pelo menos, durante algum tempo.

E agora eras capaz de voltar ou viver na China? Eu quero e preciso de ir lá, mas quando chego não consigo, é complicado.

Depois ficaste na França? Eu também tinha qualquer coisa espanhola em mim, porque cresci com cultura espanhola e com raízes latino-americanas. Então fiz o meu ERASMUS em Espanha, no primeiro ano de Universidade. A partir daí pude desenhar os limites culturais da minha identidade e para mim foi como uma liberação. Mais tarde, fiz um estágio no Canadá, prepararei lá a minha tese de Mestrado e descobri que podia ser esta mistura toda. No Canadá vivem pessoas do mundo inteiro e há uma mistura cultural e étnica muito acentuada. É extraordinário, lá senti-me em paz de espírito. Depois voltei a França para defender a minha tese de mestrado, fiquei lá durante um ano a trabalhar e regressei de novo ao Canadá. Em Janeiro deste ano voltei para França e em Maio vim para os Açores.

E porquê os Açores? Porque eu queria experimentar a vida numa ilha. Quando disse aos meus amigos e à minha família que vinha para cá, eles perguntavam: O que é isto? E, por isso, quis vir fazer esta experiência excepcional, por ser tão diferente.

E estás a gostar? Sim, mas no início eu não percebi a ilha, nem Ponta Delgada. Entretanto, em Agosto, fiz uma viajem entre as ilhas, logo fiquei a perceber os Açores, porquê que Ponta Delgada tem de ser uma cidade, percebi a cultura de cada ilha e as relações entre os açorianos. Depois desta compreensão apaixonei-me pelos Açores.

O que mais te cativou nas ilhas? O ritmo de vida. Vivi em Paris durante 20 anos e é uma cidade que nunca se tem tempo. Aqui temos todo o tempo que quisermos e para mim isto foi muito relaxante. Também adorei o facto de aqui podermos pedir boleia, porque é como se houvesse uma confiança genuína entre as gentes. E, por fim, amei a natureza, o mar, as cores, caldeiras e os vulcões.

E sentes-te bem acolhida pelo povo açoriano? Sim, fiz muitos amigos nas ilhas. Os micaelenses são um bocado mais fechados, demoram mais tempo para se acostumarem com a nossa presença, mas quando começam a falar, aí acolhem-nos muito bem.

Qual a próxima viajem? Apaixonei-me pela cultura e língua portuguesa, por isso, agora estou a tentar ir ao continente e talvez ao Brasil. Actualmente, só penso em conhecer países lusófonos para estudar as mutações da cultura e da língua portuguesa.

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