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Relatório de atividades e contas de 2011

Relatório de atividades e contas de 2011

 

Temos o prazer de apresentar o nosso Relatório de atividades e contas de 2011.

Não podemos dissociar a nossa existência coletiva de diferentes simbologias que, até certo ponto, nos acompanham na nossa labuta diária, sendo que o balanço das atividades desenvolvidas e dos objetivos concretizados ajudam-nos a posicionar e a construir um futuro melhor. O presente relatório pretende refletir sobre as atividades que a AIPA desenvolveu ao longo do ano de 2011, bem como as contas do ano em apreço.

O país e a região vivem um momento de exceção, condicionado pela crise económica e, por consequência, pela degradação do bem-estar social. No campo das migrações, o ano de 2011 foi particularmente difícil face a crise que Portugal e os Açores atravessam, gerando poucas oportunidades de emprego, aumentando a precariedade e de empurrar mais pessoas para situações de pobreza e exclusão social. As estatísticas revelaram, em 2011, um forte abrandamento dos fluxos migratórios, acompanhado de retorno (com alguma expressão) de muitos imigrantes para os seus países de origem. Em relação a este ponto vale a pena dizer que o retorno dos imigrantes, não obstante do forte aumento, não assume a amplitude que se aparenta através da comunicação social. Com alguma exceção por parte do Brasil, muitos

dos países de onde são provenientes os imigrantes não oferecem ainda muitas alternativas. Isto significa que são muitos os imigrantes que, mesmo em situação de desemprego, optam por ficar em Portugal ou tentam procurar novos destinos migratórios. Aqui entra o ano de 2012. Portugal está a ser confrontado com a emigração objetiva de muitos dos portugueses para Angola e Brasil. As migrações, sendo um fenómeno de base racional e individual, quando a emigração assume uma dimensão numérica expressiva têm custos elevados para o país de origem. Uma outra dimensão tem a ver com o discurso político de incentivo à emigração dos portugueses que, deverá ser aproveitada, ironicamente, para uma maior atenção aos imigrantes em Portugal. O cenário de 2012 não será nada fácil e tudo iremos fazer, em conjunto com outras entidades, no sentido de não permitir um desinvestimento nas políticas

de integração.

Apesar desses condicionantes, o ano de 2011 representou mais uma etapa na afirmação da AIPA no contexto regional e no reforço da nossa missão que é contribuir para a promoção da integração dos imigrantes na sociedade açoriana. A nossa primeira linha de atuação é o apoio direto aos imigrantes e encaminhá-los para os serviços regionais em função dos assuntos que nos chegam aos dois Centros Locais de Apoio à Integração dos Imigrantes: atendemos mais de 350 imigrantes e de 24 nacionalidades; através dos projetos Clube de Emprego e Bolsa de Habitação conseguimos encaminhar/apoiar mais de 100 imigrantes; Mais de 5000 frequentaram o nosso espaço TIC. A ligação com a sociedade açoriana e a envolvência das pessoas nesse esforço de integração e do diálogo intercultural é vital para nós. Por isso, passamos o Suplementos Rumos Cruzados para quinzenal e foi possível publicar 25 edições. O programa de Rádio “ O Mundo Aqui”, continuou a cumprir a sua função: fizemos 46 edições e entrevistamos 98 pessoas. Este projeto representa ainda um louvável contributo na aproximação entre os arquipélagos de Cabo Verde e dos Açores, já que o programa através de uma parceria com a Rádio de Cabo Verde, são retransmitidos todos os domingos. As atividades culturais assumem, no contexto da nossa atuação e na concretização da nossa missão, uma dimensão central tanto na valorização da cultura dos imigrantes como na criação de espaços para conhecimento recíproco. Neste sentido, é destacar duas atividades: o Festival de Internacional de Cinema sobre a Migrações – Panazorean – que começou a ser preparado em 2011 e o Festival “ O Mundo Aqui” que contou com a presença de dezenas de artistas e mais de três mil visitas. Para além disso desenvolvemos, ao longo de 2011,uma dezena de outras atividades de caráter cultural e que contou com uma abrangência de mais de três centenas de pessoas. Fomos várias vezes às escolas para falar sobre o tema das migrações, lançámos três concursos dirigidos à população açoriana e realizamos dezenas de reuniões e encontros tentando colocar na agenda pública o tema das migrações e, ao mesmo tempo, que tentamos criar uma onda de solidariedade junto da população açoriana.

Na concretização das diferentes atividades, as parcerias são determinantes. Apesar de continuarmos a depender muito dos apoios públicos, conseguimos estabelecer mais de 40 parcerias, tanto no contexto público como privado.

A nível financeiro, a AIPA apresenta uma situação muito equilibrada entre as despesas e receitas, sendo que o aspeto negativo a realçar é, muitas vezes, a falta de liquidez potenciada pela extrema dependência dos apoios públicos e nos atrasos no processamento dos mesmos.

As nossas receitas foram de 159 082, 50 € e os gastos foram de 165 253, 88 €, gerando um saldo negativo de 6 171, 63 €. Esse saldo negativo foi o resultado de algumas despesas (nomeadamente no apoio aos imigrantes em situação de extrema dificuldade e /ou pagamento de viagens em consequência de mortes de familiares). De qualquer modo, continuamos com uma margem mínima em termos de capacidade para gerar receitas próprias, sendo que no quadro financeiro e da própria sustentabilidade constitui um dos principais desafios que teremos de continuar a perseguir.

Muita coisa ficou para ser feita, muitas coisas deveriam ser feitas de uma outra forma. Todavia, existe uma certeza que presidiu a nosso trabalho no passado: um forte engajamento e uma paixão sem limite da nossa equipa de dirigentes, técnicos e voluntários na concretização da missão da AIPA.

 

 

Data: Quinta, 28 Junho, 2012

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