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Jovem russo “convertido” aos Açores aplica conceitos económicos a “We can work it out”

Jovem russo “convertido” aos Açores aplica conceitos económicos a “We can work it out” Com apenas 16 anos, o russo Vassili Plessov já divaga sobre o “crash” da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, ou os malefícios da febre consumista. Não tem dúvidas quanto ao futuro: quer ingressar no curso de Economia da Universidade Católica. Um sonho que está agora mais perto da realidade. O aluno da Escola Secundária Domingos Rebelo – a residir em Ponta Delgada há quase três anos – é um dos seis finalistas do Prémio Xavier Pintado (os restantes são portugueses), iniciativa daquela instituição de Ensino Superior, em parceria com o Jornal de Notícias. Hoje, no referido estabelecimento, vai ser divulgada a classificação final do concurso em que se solicitava a jovens do 11º e 12º anos que descobrissem conceitos económicos num tema musical à escolha. Escolheu “We can work it out”, uma canção dos Beatles que remonta a finais de 1965 (ver textos em baixo). Anda sempre com um leitor de CD na mala. No intervalo das aulas, a música é um dos seus passatempos. Mas o quarteto de Liverpool nem faz parte da lista de preferências, encabeçada por Joe Dassan e Franz Ferdinand. Estava a dar uma vista de olhos pelos álbuns do pai (ex-professor universitário de Matemática e Física em Ulyanovsk, cidade russa onde moravam), e a letra de “We can work it out” despertou-lhe a atenção. Porque, seja para efeitos de concurso ou não, “a mensagem é fundamental”. Aplicou-lhe então o “princípio económico da escolha racional”. Tudo convergia naquele sentido: transposta para outro cenário, a ideia de optar, em consciência e liberdade, pela via mais diplomática. Resumindo, “fazer tudo o que esteja ao nosso alcance com o objectivo de evitar conflitos internacionais”. Viveu na “cidade natal de Lenine até aos 13 anos”, altura em que o seu pai – entretanto já a trabalhar no ramo da construção civil em São Miguel, após uma estadia em Leiria – o trouxe, juntamente com a mãe e o irmão mais velho (estudante na Universidade dos Açores), para o arquipélago. E, por enquanto não considera a hipótese de regressar às origens. Já se adaptou a Ponta Delgada e fez amizades. Só falta mesmo a namorada. “Se calhar sou muito exigente”, afirma, despreocupado. Característica que também atribui ao Ensino na Rússia. “Aqui converge mais depressa numa determinada opção”, diz, com agrado, referindo-se à Economia, uma das grandes paixões a par dos automóveis. Gostaria mesmo de conciliá-las, confessa. Para ele parece não haver metas impossíveis. Poder-se-ia dizer que é uma característica típica da adolescência. Mas a sua capacidade de visão e empreendorismo suplantam a dos pares. O que também se deve ao apoio parental e da escola. “É muito participativo e coloca dúvidas muito pertinentes que desafiam os próprios docentes”, ressalva Fátima Correia, a professora de Economia que já o acompanha desde o 10º ano. Fonte: Açoriano Oriental

Publicado: Domingo, 04 Setembro, 2005

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