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Casas para alugar a imigrantes a peso de ouro e sem recibo

Casas para alugar a imigrantes a peso de ouro e sem recibo Habitação para deslocados é cara e por vezes sem condições, nem contrato legal A precariedade social dos imigrantes por terras açorianas não se esgota às dificuldades que enfrentam na barreira linguística, ao terem patrões com poucos escrupulos, no adiar de uma necessidade tão básica como a legalização, ou tão-só por serem pessoas deslocadas da sua origem. Como se já não bastasse, a estes problemas somam-se outros, que passam pela simples disponibilização de um tecto que lhes permita viver dignamente o tempo que estão longe da família. Não é um novo flagelo social, até porque os casos que existem não são generalizáveis. Mas, desde que existe imigrantes numa terra que por acaso é de muitos emigrantes, as coisas nunca foram fáceis - do género chegar, ver e vencer. Valores “exorbitantes” Que o diga o Bispo D. António Sousa Braga, que numa das suas últimas declarações públicas, destinadas a assinalar o Dia Diocesano da Imigração, não se coibiu de denunciar que há açorianos que se aproveitam da fraqueza dos imigrantes, alugando-lhes casas sem condições a preços “exorbitantes” e, ainda por cima, sem recibo. Estes são os casos dos indivíduos que, mesmo apresentando uma cobrança elevada, com mais ou menos reticências, aceitam abrir as portas dos seus imóveis a forasteiros. Porque depois também existem aqueles que colocam entraves de toda a ordem, alimentando um preconceito que, não raras vezes, resulta da inibição em ajudar alguém pelo simples facto de ser de fora. Disso pode falar com autoridade quem trabalha no terreno e tem de resolver problemas emergentes, frequentemente pela via da negociação difícil. É um conjunto de técnicos, do qual sobressai, pela natureza do cargo que ocupa, o presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA). Paulo Mendes está à frente da AIPA há um ano e, daí para cá, não nota grandes diferenças no mercado local de arrendamento de quartos ou habitações no novo segmento da população regional. Com cautela, o que vai constatando ao longo do tempo “é existirem casos pontuais de pessoas menos escrupulosas que acabam, por vezes, por se aproveitar da fragilidade dos imigrantes”. Uma realidade ainda longe de gerar pânico, até porque a Kairós, o Instituto de Acção Social (IAS) e a própria AIPA (entre outras instituições) avançaram recentemente com o Centro de Suporte Social à Mobilidade Humana, um projecto que em São Miguel (previsto igualmente para a Terceira e Faial), veio resolver as premências de deslocados na Região, entre as quais o alojamento. São soluções que em boa hora aparecem, mas que não escondem insuficiências associadas a mentalidades que olham com suspeição e até lucro cidadãos social e financeiramente descompensados. Chegam de países africanos, do Leste Europeu e Brasil, portadores de um contributo válido que está bem à vista da comunidade, seja através da construção que ajuda à modernidade das ilhas, seja através de influências que proporcionam uma produção cultural de superior qualidade (ao nível musical, por exemplo). Contornar o problema tem sido sinónimo de promover a pedagogia e potenciar o mútuo conhecimento entre os de cá e os de lá. Fonte: Jornal "Açoriano Oriental" - Paulo Faustino

Publicado: Sexta, 11 Junho, 2004

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