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O número de estrangeiros a residir legalmente nos Açores diminuiu no período de um ano.

Segundo os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), de 2007 para 2008, as ilhas perderam 1090 imigrantes. No ano passado, residiam na Região 3740 estrangeiros, quando em 2007 a comunidade imigrante totalizava 4830 indivíduos. Para Paulo Mendes, presidente da direcção da AIPA - Associação de Imigrantes dos Açores, dois factores deverão ter contribuído para esta redução: o abrandamento económico que está a afectar a Região, por um lado, e a própria entrada em vigor da nova lei da nacionalidade que facilitou a obtenção da nacionalidade portuguesa. Contudo, alertou Paulo Mendes, o impacto destes dois factores foi diferente entre as várias comunidades imigrantes. De facto, tendo em conta os números do Relatório Imigração, Fronteiras e Asilo divulgado pelo SEF, verificou-se que na maioria das comunidades de imigrantes desceu o número de estrangeiros nas ilhas, mas houve algumas onde a redução foi superior, tendo mesmo sido registado um aumento noutras. Nos Açores, as comunidades brasileira e cabo-verdiana são as mais representativas, assim como a alemã e a ucraniana. Em 2008, residiam nas ilhas 916 brasileiros e 590 cabo-verdianos - subiu o número de brasileiros (em 2008, eram 898) e desceu o número de cabo-verdianos (que em 2007 eram 690). Paulo Mendes explica as razões: o aumento de brasileiros está relacionado com a regularização de situações ilegais e a descida do número de cabo-verdianos estará relacionada com a obtenção da nacionalidade portuguesa. Mas há outras comunidades, onde os números também revelam alterações importantes. Em 2007, residiam nos Açores 770 indivíduos dos Estados Unidos da América e, no ano seguinte, eram apenas 314. O representante dos imigrantes na Região adianta que antes era contabilizado o contingente americano na Base das Lajes, o que na sua opinião não fazia sentido. O número de chineses, por seu lado, aumentou de 70, em 2007, para 146, em 2008 - uma subida que Paulo Mendes atribui ao reagrupamento familiar. Para o presidente da direcção da AIPA, é de sublinhar que os fluxos migratórios na Região não seguiram a tendência nacional, pois, no país, verificou-se um aumento de cerca de um por cento do número de estrangeiros (em 2008, eram 440277). E, a percepção de Paulo Mendes, é que no próximo ano, ao ser feito o balanço da população estrangeira, a diminuição da população imigrante será ainda mais significativa. "Desde o início de 2009, o regresso às origens e a procura dos imigrantes de novas oportunidades migratórias tem sido mais intensa", diz o responsável. Como sublinha Paulo Mendes, "os fluxos migratórios acabam por ser um bom barómetro no sentido de avaliar a situação económica do país ou das regiões de acolhimento". Diz por isso, que a diminuição da população estrangeira a residir legalmente nas ilhas "é necessariamente má para a Região porque o desenvolvimento faz-se com pessoas".

Publicado: Quinta, 16 Julho, 2009

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