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Imigrantes perdem empregos com a crise

A taxa de desemprego entre os imigrantes em Portugal cresceu para 12,6% nos primeiros três meses do ano, num salto significativo que mostra o impacto da recessão económica numa das camadas mais frágeis do mercado de trabalho. O fenómeno não é exclusivamente nacional - num relatório publicado ontem, a OCDE alertou para a tendência global de maior penalização dos imigrantes face aos trabalhadores nacionais. No estudo anual "International Migration Outlook", a OCDE nota que as taxas de desemprego para trabalhadores imigrantes estão a crescer mais depressa. Para explicar esta penalização (que pode levar à primeira quebra desde 1980 no fluxo de imigração nos países membros da OCDE) há várias razões: os imigrantes tendem a gravitar à volta de sectores mais vulneráveis às flutuações da economia, como construção e turismo; concentram-se no mercado de trabalho temporário, mais fácil de cortar quando a maré dos negócios começa a vazar; e há a discriminação dos empregadores, que hesitam em despedir nacionais antes dos estrangeiros. Estas razões, usadas pela OCDE para descrever o que se passa na maioria dos 30 países da organização, adaptam-se a Portugal: muitos imigrantes trabalham em hotéis e restaurantes ("onde se nota uma alta sensibilidade", diz a OCDE), sendo que Portugal é o segundo país da OCDE onde o trabalho temporário mais pesa na força laboral estrangeira (34% do total, a seguir a Espanha). Os efeitos são evidentes. Entre o último trimestre de 2007 e o final do ano passado, a taxa de desemprego de trabalhadores nacionais desceu ligeiramente, de 8,3% para 8,1%. Junto dos imigrantes, o processo foi o inverso, com uma subida de 8% para 9,9%. Nos primeiros três meses deste ano, já com a recessão a atingir em cheio o mercado de trabalho, a taxa de desemprego entre os nativos subiu para 8,9%, mas no caso dos imigrantes o salto foi bem maior, para 12,6%, afectando mais de 30 mil pessoas. Esta sangria juntos dos trabalhadores estrangeiros tem levado os governos a apertar as políticas de imigração - em Portugal, por exemplo, o governo decidiu cortar de 8.500 para 3.800 a quota indicativa de oportunidades de trabalho. "Temos a responsabilidade de não fazer da Europa uma fortaleza fechada ao mundo, mas também de receber, integrar bem e dar uma vida digna a quem chega aos nossos países", reagiu ontem o ministro do Trabalho, Vieira da Silva. A OCDE compreende, mas alerta para a necessidade de uma visão a longo prazo. "Pode ser uma boa ideia diminuir a imigração de forma temporária", admitiu ontem Angel Gurria, secretário-geral da OCDE. Contudo, "no longo prazo precisamos de um discurso público equilibrado sobre a imigração", que reconheça que os imigrantes são necessários. ionline

Publicado: Sexta, 03 Julho, 2009

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