AIPA

Alterações climáticas podem estar a causar migrações "a uma escala sem precedentes"

Fonte: Pubico Dezenas de milhões de pessoas serão forçadas a abandonar as suas casas e as suas terras, devido a secas e inundações relacionadas com as alterações climáticas, diz um novo estudo internacional hoje apresentado, que tenta determinar os efeitos do aquecimento global nas migrações até 2050. As projecções sobre o número de migrantes e refugiados climáticos que serão forçados a sair das suas terras nas próximas décadas são as mais variadas: 25 a 50 milhões em 2010, ou 700 milhões de 2050. A Organização Internacional das Migrações apontou para 250 milhões de refugiados climáticos em 2050. Este novo estudo, intitulado “Em Busca de Abrigo”, tem dados de 23 países e não se concentra propriamente nestes cálculos. Foi feito à margem das negociações sobre o sucessor do Protocolo de Quioto para limitar as emissões de dióxido de carbono (que estão a fazer subir a temperatura média de todo o planeta), que terão lugar em Dezembro, em Copenhaga. “Se não forem tomadas medidas para travar o aquecimento global, as consequências, ao nível das migrações, podem atingir uma escala sem precendentes”, comentou um dos autores do estudo, Charles Ehrhart, da organização não governamental Care Internacional, citado pela AFP. A Universidade das Nações Unidas, a Universidade de Colúmbia (Nova Iorque) e a Care são as organizações responsáveis pelo estudo. O estudo aponta como regiões especialmente vulneráveis os Estados-ilha como Tuvalu e as Maldivas; áreas hoje muitas secas, como o Sahel, em África e zonas do México; bem como as regiões densamente povoadas dos deltas dos rios Ganges, Melong e Nilo. “Nestas regiões alagadiças dos deltas, se o nível do mar subir apenas um metro - devido ao derretimento de gelos o aumento de volume da água, ao tornar-se mais quente - poderão ser afectadas 23,5 milhões de pessoas" disse Ehrhart, citado pela Reuters. Além disso, as terras agrícolas que hoje são intensivamente exploradas podem ser reduzidas em 1,5 milhões de hectares. Há que dizer que a subida de um metro do nível do mar durante este século é considerado pelos cientistas um cenário realista.

Publicado: Quarta, 10 Junho, 2009

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter