AIPA

Mais estrangeiros a regressarem a países de origem

Cerca de 90 estrangeiros em Portugal contactaram a Organização Internacional das Migrações desde o início do ano para beneficiarem do programa de retorno aos países de origem, um número "três vezes" superior à média mensal do ano passado. Mónica Gorracci, chefe da missão da Organização Internacional das Migrações (OIM), contou à Lusa que 70 a 80 por cento destes estrangeiros são originários do Brasil. Trata-se de pessoas que "perderam o trabalho que tinham por causa da crise e, em vez de ficarem em Portugal a serem exploradas, voltam aos seus países", disse, referindo que a OIM paga a passagem e, em casos de "maior vulnerabilidade", contribui com uma "verba para a ajudar à reintegração", co-financiada pela União Europeia e pelo governo português. A responsável, que falava à Lusa a propósito do fórum "Imigração versus Criminalidade - Políticas de Segurança", promovido pela Casa de Moçambique e pela Casa da Guiné e que decorre quinta-feira em Lisboa, defendeu que "as políticas de segurança devem ser gerais, não devem fazer da imigração um sector específico de abordagem, porque é muito fácil etnicizar o crime". "Não há números que suportem a ideia de que há mais criminosos nas populações imigrantes do que nas autóctones", disse. Jorge Malheiros, investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, defendeu também que "não se pode dizer que o aumento do desemprego relativamente à classe A ou B induz mais ao crime do que o desemprego geral". "Controladas as variáveis idade e classe social, a criminalidade entre estrangeiros e nacionais é equivalente", refere, acrescentando que "o controlo de fronteiras e a sua associação com o tráfico de drogas é uma coisa e a imigração, mesmo a irregular, para trabalhar, é outra". "Em períodos de recessão e crise económica, a tendência para a exclusão é mais visível, há mais vandalismo, mais pequena criminalidade, mais pessoas a dormir na rua. Mas não sei se no caso dos cidadãos estrangeiros estas evidências de exclusão são maiores, porque o seu desemprego acompanha o dos cidadãos nacionais", argumentou. Para o investigador, a questão principal não é de segurança, mas social: com áreas "ditas problemáticas, marcadas pela desvantagem, com populações em situação de exclusão mais forte" e a "tentação de enfatizar no 'outro' os aspectos negativos" no contexto da opinião pública. Fonte: Lusa www.acidi.gov.pt

Publicado: Quinta, 02 Abril, 2009

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter