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Nené foi homenageada pelo Primeiro Ministro de Cabo Verde

José Maria Neves homenageia mulheres emigrantes.Inês Furtado, uma cabo-verdiana de Santiago que vive há muitos anos na ilha Terceira, nos Açores, onde “fazem festa quando matam vaca”, foi uma das cinco mulheres que prestaram o depoimento de vida numa homenagem à mulher cabo-verdiana em Lisboa, com o primeiro-ministro José Maria Neves a elogiar o género entre rosas vermelhas e promessa de combate à violência doméstica. Aconteceu em Lisboa, sexta-feira, 27 de Março, dia da mulher cabo-verdiana. Foi no Hotel Sana, na capital portuguesa, perante uma sala cheia de representantes da vasta comunidade que Inês disse que não gosta de Lisboa. ”Peço desculpa se ofendo alguém”, disse, mas na Terceira “sou recebida que nem uma rainha”. Depois de muito trabalho e de sacrifício pelos filhos, hoje é dona de um restaurante e tenciona adquirir a casa camarária onde vive. “Todos os anos mando quatro contentores para Cabo Verde, sem gastar do meu bolso. As pessoas ajudam. Depois lá fazem festa quando matam vaca...dão vinho...”, contou a mãe do futebolista Eliseu, que vai novamente tentar a selecção nacional. Também Ermelinda Barbosa ou “avó Lili”, que esteve dez anos em S. Tomé e Príncipe e há 44 anos em Portugal, falou do seu atribulado percurso sem desanimar, atitude que prossegue, agora em trabalho voluntário. Rosa do Rosário, mãe do escritor Joaquim Arena e do jornalista João do Rosário, muito antiga em Lisboa, era “uma conselheira” de quem chegava à sua Pensão. Dizendo-se da “terceira geração” a Josefa Cabral, nascida em Lisboa, uma oficial da GNR que foi a Cabo Verde apenas aos 29 anos, agradeceu aos seus pais a possibilidade de lhe terem facultado os estudos. Ao som do canto e dos acordes de guitarra da jovem Danae, de origem cabo-verdiana, que cantou em crioulo uma canção infantil de embalar, e pelo Embaixador Arnaldo Andrade, foram recordadas mulheres mais antigas como Nha Ana Veiga, Antónia Pusich, Luisa Sena Barcelos. José Maria Neves fez um traçado da evolução de Cabo Verde e enalteceu todas as mulheres cabo-verdianas como “a gota de água” que tornou o país “possível” quando se dizia que era um país inviável. Agora disse, “provámos que era possível” e assim já “podemos tocar a lua”, salientando que existem ainda muitos desafios. JMN lembrou que Cabo Verde já atingiu a meta da paridade. No seu governo existem oito mulheres e sete homens nos cargos ministeriais e afirmou que, entre outros desafios, existe o do combate á violência doméstica, uma mudança exigível também aos homens. Daí a campanha em curso, do “Laço mais branco”, para dizer não à violência. A todas as mulheres presentes, foi-lhes oferecida uma rosa.

Publicado: Domingo, 29 Maro, 2009

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