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UE avisa para risco de racismoe xenofobia

por CÉU NEVES 21 Março 2009 A Comissão Europeia alerta para o perigo da actual situação de crise económica poder potenciar actos de racismo e de xenofobia. Uma preocupação manifestada a propósito do Dia Internacional contra a Discriminação Racial, que hoje se assinala. Um risco que Portugal também corre, tanto com imigrantes como com emigrantes. "A questão laboral sempre surgiu ao nível da discriminação, sobretudo em tempo de crise, o que se traduz na ideia de que o imigrante está a tirar o emprego ao trabalhador nacional", concorda Carla Amaral, responsável pela Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e de Discriminação Racial ou Étnica (UAVIDRE), da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. As organizações europeias dizem estar "alarmadas com os relatos que dão conta de ataques violentos contra imigrantes, refugiados e exilados políticos, e minorias como os ciganos", refere um comunicado assinado por três agências, entre as quais o Conselho Europeu contra o Racismo e a Intolerância. E justificam: "A história europeia mostra como a depressão económica pode levar à exclusão social e à perseguição. Estamos preocupados que, em tempos de crise, os migrantes, as minorias e outros grupos vulneráveis, se tornem o bode expiatório." Em Portugal têm sido os trabalhos e os horários que ninguém quer a motivar mais reclamações dos estrangeiros. Casos que não ultrapassam, no entanto, as dificuldades em alugar uma casa, em especial por brasileiros, e a recusa na prestação de serviços. A UAVIDRE recebeu 83 queixas em 2008, mais 15,3% do que em 2007 (72). E a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Social (CIDS) registou 74 reclamações o ano passado, menos 8,6% do que no ano anterior (81). E, destas, 21 são contra-ordenações por discriminação racial. A brasileira Izabela Naves candidatou-se a uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, candidatura que foi aprovada com uma boa classificação. Daí que tenha ficado surpreendida por não lhe ter sido atribuída, o que motivou uma queixa à CIDS, do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural. Processo ainda em análise. Também Glória Novas, caboverdiana, funcionária pública, recorreu à comissão para se queixar de um chefe, que diz ter-lhe feito a vida negra desde que entrou, há três anos. "Sempre fui uma trabalhadora dedicada e respeitei tudo e todos, nunca faltei, antes pelo contrário, tenho feito horas extra", conta Glória. Acusou-o de perseguição e racismo baseada na palavra da irmã, funcionária do mesmo serviço e que ouviu o dirigente chamar "preta" à familiar. As acusações valeram-lhe uma suspensão de 30 dias e, agora, luta contra um processo de despedimento. Espera o desfecho da queixa apresentada na CIDS.

Publicado: Segunda, 23 Maro, 2009

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