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Imigrantes pagam dois mil euros por equivalência

Licenciatura. Processo de equivalência do curso superior é complicado e custa mais de dois mil euros. Só a tradução fica em mais de mil euros. Associações falam que preço "é uma loucura" e que esta medida impede mão-de-obra qualificada de trabalhar no País Tradução dos documentos custa 20 euros por página Os imigrantes licenciados têm que pagar, em média, dois mil euros para ver a sua formação reconhecida em Portugal. Só a tradução oficial do diploma e do plano curricular, documentos obrigatórios, temum custo médio de mil euros. Depois de recolhida toda a documentação exigida, os candidatos devem traduzi-los para português. A embaixada do país de origem é a responsável pela autenticação da tradução. Na embaixada da Ucrânia a tradução de cada página custa 20 euros e cada processo tem em média 100 páginas. O passo seguinte é a escolha de uma universidade que tenha o curso equivalente. Normalmente, os estabelecimentos de ensino cobram a inscrição (cerca de 350 euros) para este pedido e só depois avisam se o processo é viável ou não. A equivalência é avaliada por uma comissão e, se for aprovada, o candidato tem ainda que pagar o certificado, ou seja, cerca de 300 euros. A universidade pode ainda exigir a realização de exames específicos ou de língua portuguesa. "Os imigrantes têm que investir muito para conseguir a equivalência da licenciatura", lamenta Paulo Sadokha, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal. Só para a documentação "são precisos mais de mil euros e sem qualquer garantia de ver a equivalência aprovada", acrescenta. A elevada formação dos imigrantes oriundos dos países do leste europeu é conhecida. Mas, "a maioria acaba por não pedir a equivalência porque não tem dinheiro", sublinha Maria Ianco, da Associação de Imigrantes Romenos e Moldavos - FRATIA. "É uma loucura o preço do processo", classifica a dirigente da associação. A entrada da Roménia na União Europeia (UE) devia ter facilitado o processo de reconhecimento do curso superior, considera Maria Ianco. "Actualmente só Portugal e a Irlanda é que não reconhecem as nossas licenciaturas", critica. A própria Maria Ianco ponderou pedir a equivalência, mas como só tinha o bacharelato, concluiu que não era rentável. "Não ia conseguir um trabalho melhor do que tenho agora". Neste momento, é gerente a tempo inteiro da associação, mas já foi empregada de mesa e trabalhou em lares de idosos. Apesar das dificuldades, os interessados continuam a tentar as equivalências. O Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes do Serviço Jesuítas aos Refugiados já recebeu este ano 100 pedidos de esclarecimento sobre a obtenção de equivalência da licenciatura. Mas, Vera Marques, da instituição alerta para o facto de estes pedidos nem sempre resultarem num processo de equivalência. Também a Associação de Ucranianos em Portugal revela que, só em Lisboa, foram contabilizados desde Janeiro 150 pedidos. Já a FRATIA garante que o preço dos processos afasta as pessoas e, por isso, são cada vez menos aqueles que procuram esta opção. As formalidades exigidas são vistas pelos imigrantes como formas de dificultar a obtenção de equivalência e impedir mão-de-obra qualificada de trabalhar na sua área. "É claro que sentem [os imigrantes ucranianos] que é uma forma de dificultar as coisas. Os ucranianos não trabalham em funções bem pagas, logo não têm possibilidade de pedir a equivalência que tem um custo absurdo", adianta Paulo Sadokha. "Os imigrantes sonham um dia voltar a fazer aquilo para que estudaram e gostariam de o fazer cá em Portugal", defende o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal. Para responder aos pedidos que chegam à associação, está já ser criado um gabinete de apoio. Uma das metas é estabelecer contactos entre as autoridades da Ucrânia e de Portugal que facilitem o processo.

Publicado: Sbado, 19 Julho, 2008

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