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Entrevista a Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, por ocasião do Novo Ano Chinês

Na última entrevista que deu, Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal, disse que tinha 53 anos e não quis actualizar a idade. Para quem tem um pai idoso e um avô que morreu com 105 anos, depois de ter sido um dos primeiros imigrantes chineses no nosso país, talvez a idade não seja assim tão importante. O que parece fundamental para o empresário, que confessa ser apreciador de novelas chinesas e vive desde os seis anos em Portugal, é mostrar aos portugueses toda a riqueza cultural da China. O Ano do Rato, o ano novo chinês, começa na quinta-feira e há várias celebrações agendadas. Ontem, houve festa no Casino da Póvoa, em Famalicão começa hoje uma semana de cultura chinesa e, no dia 8, há conferências sobre economia e política na Figueira da Foz. - Como vai a comunidade chinesa assinalar o ano novo? - Vamos fazer uma festa grande e, este ano, vamos receber uma prenda muito prestigiada, umas insígnias que o presidente da República vai conceder ao senhor Chow Horng Tzer, pelos 50 anos de trabalho e amizade entre Portugal e China. É o chinês vivo mais antigo cá, mora no Porto e é meu pai. Também vai ser um ano novo especial porque muitos políticos aceitaram os nossos galardões, pela ligação à comunidade e pelos trabalhos que fizeram, como os presidentes das câmaras de Beja, Lisboa, Famalicão e Vila do Conde. - O que fizeram esses autarcas? - São galardões de Cultura para Beja e Famalicão, que fizeram a Semana Cultural Chinesa. Os autarcas de Lisboa e de Vila do Conde promoveram a integração dos chineses nos seus municípios. Também os deputados Feliciano Barreiras e Celeste Correia vão receber prémios pela sua participação na nova lei da imigração, que criou a figura do empreendedor, bastante interessante para os chineses. Também a jornalista Fátima Campos Ferreira, do programa "Prós & contras", pela oportunidade que deu à comunidade de esclarecer a sua posição sobre o comércio. - A comunidade chinesa é bastante discreta. Isso acontece por causa da língua? - Também é uma característica do povo, mas a língua afasta um bocado e tira visibilidade. - É por essa razão que ainda há poucos casamentos entre chineses e portugueses? - Neste momento, na segunda e terceira gerações, já acontece isso. As minhas duas filhas casaram com portugueses. Os rapazes e raparigas que nasceram na China e vieram adolescentes ainda procuram outros chineses para casar. - A China tem-se tornado uma potência económica, mas é olhada com reserva por causa do desrespeito pelos Direitos Humanos, situação que tem levado muita gente a contestar a organização dos Jogos Olímpicos em Pequim. Como vê a situação política e económica do seu país? - Como todos os países em vias de desenvolvimento, a China teve de começar por algum lado e começou por ser considerada a fábrica do Mundo. Ao produzir as coisas mais baratas, obviamente não tem condições laborais tão favoráveis como os países desenvolvidos e isso e compreensível. Assim aconteceu com o Japão, com Taiwan, com outros países. Depois de passar esta fase, depois de alcançar um certo patamar, a China está a desenvolver outras indústrias, como a espacial, a informática, a farmacêutica. - Quer dizer que a estabilidade económica vai trazer melhores condições de trabalho? - As condições vão melhorar, os trabalhadores vão ganhar mais, o produto chinês vai tornar-se mais caro e os europeus vão sofrer um bocado com isso. - O Ano do Rato é considerado um ano de inovação e avanço tecnológico. O que acha que poderá acontecer em 2008? - Tenho a certeza de que a China vai dedicar-se mais a empresas de novas tecnologias, aos problemas ambientais e também vai melhorar muito as condições dos trabalhadores.

Publicado: Sexta, 08 Fevereiro, 2008

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