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UE/Presidência: Maior perigo que ameaça África é o seu isolamento - Boutros-Ghali na Conferência Europa-África

O antigo secretário-geral da ONU Boutros Boutros-Ghali defendeu hoje, no Porto, que o maior perigo que ameaça África é o seu isolamento e a falta de atenção por parte da comunidade internacional. "O primeiro grande perigo que ameaça África é o seu isolamento, a sua marginalização, a falta de atenção por parte da comunidade internacional aos dramas e problemas com que ela se debate", afirmou Boutros-Ghali. O ex-secretário-geral da ONU falava na conferência "Europa-África: uma estratégia comum?" organizada pela Fundação Portugal-África, tendo no horizonte a Cimeira Europa-África da presidência da UE em Dezembro. Boutros-Ghali deu como "exemplos trágicos" os genocídios no Ruanda e no Burundi, que, em sua opinião, deveriam ter merecido a "mobilização da opinião pública internacional". Para Boutros-Ghali, "mais grave ainda" é a transferência de África para a Ásia das atenções, investimentos e interesses da comunidade internacional, devido ao "desenvolvimento espectacular" deste continente, em especial da China e da Índia. "Em 1976, havia 72 correspondentes da imprensa internacional em Nairobi. Actualmente, não há mais do que quatro", notou Boutros-Ghali, dando como outro exemplo a redução de 320 mil para 50 mil do número de operários fabris na área do calçado na África do Sul, devido à concorrência chinesa. O actual presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Egipto salientou que África sofreu nos últimos 50 anos "cinco grandes decepções e desilusões", entre as quais o "sonho" da união total do continente e os projectos da Organização da Unidade Africana (OUA) para um mercado comum africano. A ajuda internacional, cada vez mais reduzida, os conflitos inter-africanos e a opção pelo não-alinhamento, que "perdeu a sua razão de ser com o fim da Guerra Fria", foram as outras desilusões destacadas por Boutros-Ghali. Para o ex-secretário-geral da ONU, os grandes desafios de África são a adopção de um novo Plano Marshall, em parceria com a União Europeia e a China, e a entrada na sociedade da informação. "Revolucionando as modalidades de transmissão do saber, as novas tecnologias da informação e comunicação oferecem potencialidades sem precedente", frisou o professor universitário de Direito Internacional e Relações Internacionais.

Publicado: Sbado, 29 Setembro, 2007

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