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Ucrânia: candidato da oposição autoproclama-se President

Victor Iuschenko, o candidato liberal que diz ter sido derrotado nas presidenciais ucranianas devido a fraudes eleitorais, desafiou hoje as autoridades de Kiev ao autoproclamar-se Presidente da Ucrânia, numa iniciativa aplaudida por centenas de milhares de apoiantes. Num gesto inesperado, e já denunciado pelo presidente do Parlamento, Iuschenko leu o juramento de tomada de posse, colocando a mão sobre a Bíblia. A provocação foi feita no final de uma conturbada sessão no Parlamento ucraniano, boicotada pelos deputados do partido do primeiro-ministro Victor Ianukovich, declarado vencedor do escrutínio. No final do juramento, o candidato da oposição falou às cerca de 200 mil pessoas que enchem a principal praça de Kiev, afirmando que a Ucrânia "está à beira de uma guerra civil". Victor Iuschenko acusou o ex-primeiro-ministro e seu rival nas eleições de envolvimento pessoal nas fraudes e voltou a apelar os seus apoiantes para que não desmobilizem. A situação em Kiev permanece muito tensa, já que os manifestantes se recusam a desmobilizar, apesar de as forças de segurança terem anunciado ontem que estão preparadas para agir de forma "rápida e firme" para pôr fim a qualquer manifestação ilegal. Face à tensão crescente, o Presidente cessante, Leonid Kuchma, quebrou o silêncio, pedindo aos dois candidatos para que discutam uma solução política para a crise. Contudo, nem Ianukovich nem Iuschenko parecem dispostos a aceitar o repto. O primeiro-ministro, que ainda não se declarou vencedor, fez esta tarde um discurso televisivo em que acusa o candidato da oposição de estar a tentar tomar o poder pela força. À excepção da Rússia, nenhum país reconheceu a vitória do candidato oficial, depois dos observadores que acompanharam a segunda volta das presidenciais terem declarado que o escrutínio de domingo "não cumpre as normas europeias para uma eleição democrática". Tanto os EUA, como a União Europeia já exortaram Kiev a rever os resultados do escrutínio — um apelo que ficou até agora sem resposta de Kiev. Fonte: Publico

Publicado: Tera, 23 Novembro, 2004

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