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Faleceu o cantor Ildo Lobo - Cabo Verde perde um dos expoentes máximos da sua música

O CANTOR Ildo Lobo faleceu esta quarta-feira, vítima dum fulminante ataque cardíaco, aos 51 anos. Manifestações de consternação sucedem-se ao longo da manhã em emissões da RTC, com vários artistas e amigos a lamentarem o falecimento daquele que durante cerca de duas décadas foi a voz e a cara de um dos grupos mais marcantes da música cabo-verdiana, Os Tubarões. Djô da Silva, o dono da Lusáfrica, anunciou que Ildo deixou pronto um novo disco para a sua editora, que talvez levasse o título de “Incondicional-Confidência”. O lançamento estava previsto para 27 de Novembro, e Ildo Lobo iniciaria uma tournée para a sua apresentação internacional. A Câmara do Sal declarou encerradas as actividades, em sinal de luto, na manhã do dia 21. Nos dias 22 e 23 a bandeira municipal estará a meia-haste. Natural de Pedra de Lume, ilha do Sal, Ildo Neves de Sousa Lobo nasceu em 1953. A influência do pai, animador de serenatas que o filho irá homenagear no seu primeiro disco a solo, terá sido decisiva na sua inclinação para o canto. A residir na Praia desde 1970, para onde se deslocou para frequentar o liceu, é convidado para integrar Os Tubarões em 1973, sucedendo como vocalista o seu primo Luís Lobo. Os dois primeiros discos são gravados em 1976, na Holanda, e até 1994 o grupo irá registar: “Tema para Dois”, “Tabanca”, “Pépé Lopi”, “Djonsinho Cabral”, “Tchon di Morgado”, “Os Tubarões ao Vivo” e “Porton de Nôs Ilha”. Sempre com a voz de Ildo Lobo como marca inconfundível das suas gravações, seja nas mornas, coladeiras ou nos temas de teor político, no período de euforia nacionalista do pós-independência, que levaram a que se apontasse Os Tubarões como o “grupo oficial do regime”. Após o lançamento de “Porton de Nôs Ilha”, em 1994, o grupo desfaz-se, e o cantor inicia a sua carreira a solo com “Nôs Morna”, editado em 1997, a que se segue “Intelectual”, em 2001, ambos pela Lusafrica. Em 1999 Ildo Lobo regravou o seu antigo sucesso “Djonsinho Cabral”, com letra de Rui Machado alusiva a Xanana Gusmão e à luta pela independência de Timor, tema inserido na colectânea “Música de Intervenção Cabo-Verdiana”. Seja integrado n´Os Tubarões, seja na sua carreira a solo, Ildo Lobo foi o responsável por tornar conhecidos temas de inúmeros compositores de diferentes gerações. Algumas dessas gravações tornaram-se clássicos da música cabo-verdiana que permanecerão associados à voz do cantor. Ildo Lobo não se assumia como compositor, mas não deixou de produzir nesta vertente: “Nha Testamento”, gravada por ele mesmo em “Nôs Morna”; “Zebra”, gravada pel´Os Tubarões e por Cesária Évora; “Panhal na Toc”, “Strela Negra”, “Pensamento” e “Separação”, também pelo grupo de que participou, são exemplos de temas da sua autoria. A associação, de longa data, da diabetes e do álcool inspirava preocupações entre os seus próximos nos últimos anos, às quais, quando manifestadas abertamente, o músico reagia com desdém. Fonte: Paralelo 14

Publicado: Tera, 26 Outubro, 2004

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