São dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que provam que os estrangeiros estão a deixar o País. Pelo menos os que estão em situação regular. O jornal espanhol La Vanguardia divulgou este fim-de-semana que milhares de ucranianos, brasileiros e africanos partiram para Espanha. A notícia não surpreende quem trabalha com as comunidades.
"Os dados do SEF indicam uma redução de imigrantes, nomeadamente de ucranianos", confirma o alto-comissário para os Imigrantes e Minorias Étnicas (ACIME), Rui Marques. E acrescenta que países como a Espanha, a Inglaterra e a Irlanda estão a atrair os imigrantes, tal como atraem portugueses.
Mas o SEF contrapõe que "o êxodo de cidadãos estrangeiros de Portugal em direcção a Espanha não tem fundamento". E sublinha que as autoridades espanholas nunca manifestaram preocupação perante a eventualidade deslocação "massiva" de pessoas de um país para outro.
A verdade é que, com a livre circulação no espaço Schengen, é difícil avaliar quantos cidadãos, estrangeiros ou nacionais, atravessam a fronteira portuguesa à procura de melhores oportunidades de trabalho.
No entanto, as estatísticas oficiais revelam as tendências em termos de movimentos migratórios. Entre 2001 e 2004, o SEF emitiu 183 833 autorizações de permanência em Portugal, título que deve ser renovado todos os anos. O problema é que apenas metade o fez em 2005 (93 391), ficando a incógnita sobre o que terá acontecido aos restantes. Regressaram ao país de origem, estão em situação irregular, procuraram outro país?
Heliana Bibas, presidente da Casa do Brasil, não sente um "êxodo" de brasileiros para terras espanholas e teme que a notícia do La Vanguardia seja uma forma de pressionar o Governo português a endurecer a lei para com os imigrantes.
Ludymila Bila, ucraniana e presidente da Associação de Apoio ao Imigrante, diz que alguns homens terão partido, mas que as famílias se mantêm em Portugal, onde "se sentem integradas e mais seguras".
Fernando Ká, da Associação Guineense, tem uma percepção completamente diferente da comunidade africana. A maioria tem o estatuto de residente e outros adquiriram a nacionalidade portuguesa, sendo-lhes mais fácil trabalhar em Espanha. "Há mais de um ano que os imigrantes estão a sair , desde que a construção civil entrou em crise em Portugal", justifica.
Fonte: DN
Publicado: Terça, 17 Outubro, 2006
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