O dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Miguel Portas criticou este sábado o que considera ser a «política de polícia» da Europa contra os imigrantes, referindo-se especificamente aos ilegais africanos que tentam chegar aos países europeus.
«A Europa não tem uma política de migração, mas sim uma política de polícia que trata os imigrantes como criminosos», afirmou Miguel Portas, durante uma iniciativa sobre o Dia de Acção Transnacional pelos Direitos dos Migrantes, em Lisboa e que decorreu em simultâneo em vários países europeus.
«Portugal não é excepção», disse o dirigente do BE que, apesar de reconhecer «melhorias recentes no quadro legal sobre migração», considerou que «são insuficientes e podiam ter ido mais longe».
Isto porque, segundo Miguel Portas, «ainda existem no país 100 mil imigrantes sem papéis».
A acção do BE teve como objectivo alertar para este facto e para as «condições de clandestinidade e falta de direitos dos imigrantes» em Portugal.
O deputado europeu sublinhou que a Europa vai «precisar de 20 a 30 milhões de imigrantes nas próximas duas ou três décadas porque a população está a envelhecer e a taxa de natalidade a decrescer».
Para Miguel Portas, tem de «haver políticas europeias articuladas para permitir que os imigrantes possam ser bem recebidos e ter direitos como os cidadãos europeus».
O dirigente do BE visitou os centros de detenção de Lanpedusa (ilha italiana no mediterrâneo) e de Melilla e Ceuta (território espanhol no Mediterrâneo), onde se encontram os imigrantes ilegais que chegam de África, e ficou «impressionado» com a forma como são tratados.
«Em Lanpedusa, eram colocadas 1000 pessoas num espaço com capacidade para 150, não tinham direito a nada, nem mesmo um intérprete e eram despachados não sei para onde e de qualquer maneira», retratou.
«É um problema de ética», sublinhou, acrescentando que a «Europa não pode falar de direitos e depois tratá-los abaixo de seres humanos», disse.
Diário Digital / Lusa
Publicado: Sábado, 07 Outubro, 2006
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