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PIB «per capita» português teria caído 0,6% ao ano sem os imigrantes

De acordo com o Jornal de Negócios de hoje, "se Portugal tivesse fechado as portas à entrada de estrangeiros, em vez da subida de 1,8% ao ano o PIB "per capita" teria caído, em média, 0,63% ao ano, entre 1995 e 2005." "Na última década, o crescimento do rendimento dos portugueses foi relativamente modesto, mas só foi positivo graças à contribuição dos imigrantes. Se o País tivesse fechado as portas à entrada de estrangeiros, em vez de uma subida de 1,8% ao ano, o PIB "per capita" teria caído em média 0,63% entre 1995 e 2005. Esta é uma das conclusões a que chega um estudo realizado pela "Caixa Catalunya" com base em dados estatísticos disponibilizados pelo Eurostat. Publicado no âmbito do "Relatório semestral sobre a economia espanhola e o contexto internacional", o estudo avalia para os quinze países da "antiga" União Europeia (UE) o impacto dos desenvolvimentos demográficos na evolução do rendimento "per capita" dos europeus. E, salvo raras excepções, a conclusão é a mesma para todos os Estados da velha Europa: os imigrantes são os grandes responsáveis pela dinâmica de crescimento, ainda que frágil, da economia europeia. Isto porque é a entrada de imigrantes que explica o essencial (76%) do crescimento da população europeia (pressupondo-se que essa percentagem seja ainda superior quando se considera a população activa), da procura interna e mesmo a contenção dos salários. Sem eles, calculam os economistas da "Caixa Catalunya", o rendimento "per capita" dos europeus teria recuado, em média, 0,23% por ano entre 1995 e 2005. "A imigração ajuda a explicar o maior ritmo de crescimento da população activa sobre a população total, explicando, por sua vez, o maior crescimento". Espanha: 50% do aumento do consumo deve-se aos imigrantes O estudo, ontem citado no "El País", centra-se naturalmente no caso de Espanha onde a entrada de imigrantes ilegais continua a dominar a actualidade. E sugere que o bom desempenho da economia espanhola, que tem crescido bem acima da média europeia, se explica "de forma significativa pelo rápido crescimento da sua população activa, graças, sobretudo, a dois factores: à imigração e ao ingresso das mulheres no mercado de trabalho". "Não seria excessivo postular que cerca de 50% do aumento do consumo e aproximadamente um terço do crescimento da procura de habitação está vinculado, directa ou indirectamente, à entrada de imigrantes", lê-se no relatório. No caso português, a contribuição da imigração para o crescimento da população é das mais elevadas da UE-15. Entre 1995 e 2005, a população residente no país aumentou 5,4% (que compara com uma média de 4,8% no conjunto da UE), num total de 539 mil pessoas, sendo que 85,1% deste aumento (458 mil) se ficou a dever à entrada de estrangeiros. Em reflexo da quebra da taxa de natalidade, que é hoje das mais baixas da Europa, a população nativa apenas aumentou no mesmo período 0,8 %, o que corresponde a 80 mil novos indivíduos "made in Portugal". O estudo simula,empregando os coeficientes de Bloom e Williamson, a evolução do PIB "per capita" sem o contributo da imigração, e coloca Portugal como o quinto país entre os Quinze onde, na ausência de trabalhadores vindos de fora, teria sido gerado a maior a queda do rendimento (ver gráficos). Os casos extremos de impacto no crescimento A contribuição dos imigrantes chega, no entanto, a situações extremas na Alemanha e em Itália, os únicos dois países da UE onde a população teria diminuído, em termos absolutos, não fosse a entrada de estrangeiros. Em ambos os casos, é a imigração que explica na íntegra o crescimento (ainda que quase marginal) da população: 1,4% no caso da Alemanha, 2,9% no caso de Itália. Na situação oposta, encontram-se três outros países. Irlanda, França e Finlândia são os únicos Estados da UE-15 onde o crescimento da população nativa continua a superar o da entrada de imigrantes. Consequentemente, só estes três países poderiam ter "dispensado" trabalhadores estrangeiros e, ainda assim, registado taxas de variação positivas dos respectivos PIB "per capita" durante a última década. Nos três casos, porém, as taxas de crescimento do rendimento teriam sido pelo menos três vezes inferiores às obtidas com a contribuição da mão-de-obra vinda de fora." Eva Gaspar Jornal de Negócios

Publicado: Quarta, 30 Agosto, 2006

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