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Três por cento dos alunos são de origem estrangeira

Em Portugal, cerca de 90 mil dos alunos do pré-escolar e ensino básico de 1°, 2° e 3° ciclo, são de origem estrangeira ou filhos de emigrantes portugueses. Ao todo, representam cerca de três por cento da população estudantil até aos 15 anos de idade, que frequentam a escola. Uma percentagem pouco significativa se tivermos em conta a de outros países como a Bélgica, Alemanha, França, Suécia, Letónia, Reino Unido e o Liechtenstein, com mais de dez por cento de alunos de origem imigrante. Na maior parte dos países - 30 foram os estudados - menos de seis por cento dos alunos são de origem estrangeira. Os números são do mais recente estudo da Rede Eurydice, da Comissão Europeia, sobre a integração das crianças imigrantes nas escolas europeias. Segundo o relatório, na maioria dos estados, a população estrangeira varia entre os 2,5 e os nove por cento. Nos países que mais recentemente aderiram à União Europeia (UE), os imigrantes são ainda menos que os 2,5 por cento referenciados. Contudo são mais de um quinto da população na Estónia, Letónia, Luxemburgo e Liechtenstein. A maior parte dos estrangeiros que chegam a Portugal, França e Itália são de origem africana, enquanto que os que optam por Espanha são sul-americanos. Bélgica, Irlanda e Luxemburgo recebem cidadãos oriundos de outros países da UE. A lei europeia prevê que todos os menores tenham acesso ao ensino. Portugal não é excepção e, tal como outros países, permite que as crianças, mesmo em situação ilegal, frequentem e sejam obrigadas a ir à escola. Mas nem todos são assim: Dinamarca, Lituânia, Polónia, Suécia e Islândia exigem uma prova de residência para os meninos serem admitidas no sistema de ensino. Alguns dos países nórdicos não consideram a escola obrigatória para os estudantes estrangeiros. Em Portugal, as escolas públicas, desde que tenham vagas, são obrigadas a aceitar qualquer criança em idade escolar. Estes alunos devem ser submetidos a um diagnóstico, para estabelecer um plano individual de apoio, de maneira a facilitar a integração. Os educadores de infância e os professores de 1° ciclo devem promover a aprendizagem da língua e ter "particular atenção" à integração e troca de conhecimentos, num respeito pela cultura do aluno, aponta o relatório. O português pode ser leccionado como segunda língua e já há escolas superiores de Educação e universidades a oferecer pós-graduações nesta área, preparando os profissionais para dar aulas não só aos filhos como aos pais. Existem ainda algumas organizações não governamentais que se dedicam também ao ensino do Português a estrangeiros. O relatório aponta que a maneira mais fácil de integrar os estudantes é através da educação intercultural, ou seja, estabelecer um diálogo entre a cultura do aluno e a do país de acolhimento. A interculturalidade pode traduzir-se em mais uma disciplina que se debruça sobre a educação para a cidadania, sociologia, política ou moral; mas também pode ser uma ideia que atravessa todo o currículo do aluno e da turma em que está integrado. Por cá, procura-se promover a educação intercultural de maneira transversal, por exemplo, incluindo alguns temas nos programas, mas também introduzindo-o na vida da escola. Fonte: Jornal Público

Publicado: Sexta, 17 Setembro, 2004

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