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Ucrânia Acordo entre rivais põe fim ao impasse na

Os dois grandes rivais políticos ucranianos, Viktor Ianukovich e Viktor Iuchtchenko, assinaram ontem um acordo que permitirá nomear o novo Governo e acabar com o impasse que se instalou após o colapso da coligação laranja. A crise perdura por causa das divisões entre reformistas e pró-russos, num contexto de dificuldades económicas e violentos ódios pessoais. Ianukovich, de 56 anos, o grande derrotado das presidenciais de 2004, devia ter sido ontem nomeado primeiro-ministro pelo Parlamento. Mas a confirmação foi adiada por "razões técnicas", segundo a versão oficial. A nomeação será hoje. O seu Partido das Regiões venceu as legislativas de Março, com 32%, mas o político pró-russo só chega ao poder devido ao fracasso dos partidos reformistas, que se reuniam na chamada "coligação laranja". O voto parlamentar é uma formalidade. O acordo assinado com o Presidente Iuchtchenko já foi saudado pela União Europeia e anunciado pelo próprio Chefe do Estado na quarta-feira, na televisão. O entendimento resulta de negociações onde todos cederam. A alternativa seria a dissolução do Parlamento. Segundo explicou Iuchtchenko, na sua comunicação ao país, esta era "uma oportunidade única para unir as duas margens do Dniepr". A frase alude à fractura política da Ucrânia, entre as regiões que têm votado maioritariamente pelos partidos reformistas (na margem ocidental do grande rio) e as regiões onde os russófonos são mais fortes (a margem esquerda). "Quando duas pessoas caminham na direcção uma da outra, é importante não contar quem dá passos a mais ou a menos", disse por sua vez Ianukovich, na assinatura do acordo entre o Partido das Regiões e a força política de Iuchtchenko, Nossa Ucrânia. Derrota presidencial O Presidente é, sem dúvida, o grande derrotado. O próximo primeiro-ministro terá maiores po- deres, de acordo com emendas constitucionais introduzidas em Dezembro de 2004 (fruto de um compromisso) e que só entraram em vigor este ano. A Ucrânia terá um regime parlamentar, pois o primeiro-ministro não pode ser demitido pelo Chefe do Estado e este só escolhe dois ministros (Defesa e Negócios Estrangeiros), que têm de ser aprovados pelo Parlamento. A questão com implicações imediatas será a da eventual adesão da Ucrânia à NATO, iniciativa que desagrada à maioria da população, mas que o Presidente Iuchtchenko queria acelerar. A vitória do Partido das Regiões deveu-se em parte à sua campanha contra a NATO e, em Junho, exercícios na Crimeia envolvendo forças da Aliança Atlântica foram contestados pela população, russófona e que detesta a integração da península no país. Kiev só deverá aderir à NATO por referendo. O próximo Governo terá, apesar de tudo, de prosseguir as reformas económicas, sob pena de se quebrar o pacto. Ianukovich tem de levar em conta a aritmética do Parlamento. O primeiro-ministro só controlará 186 deputados, em 450 (mais 21 comunistas). Sem os 81 da Nossa Ucrânia e os voláteis 33 socialistas (que podem regressar à coligação laranja), o poder estará ao alcance da reformista Iulia Timochenko, cujo bloco com o seu nome tem 129 deputados. O único obstáculo para este cenário são as antipatias entre Timochenko e o líder socialista, Olexandre Moroz, e com o Presidente Iuchtchenko Fonte: DN

Publicado: Sexta, 04 Agosto, 2006

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