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A Jornalista Ana Paula Fonseca foi a vencedora do Concurso

A jornalista do Jornal " Açoriano Oriental", Ana Paula Fonseca, foi distinguida com uma Menção Honrosa e um prémio pecuniário no valor de 750 euros, no âmbito da I Edição do concurso " D. Djuta Ben David - Jornalismo pela Integração dos Imigrantes", numa cerimónia que decorreu no passado dia 22 de Maio, no Café com Letras, em Ponta Delgada e presidida pela Secretária Regiona Adjunta da Presidência, em representação do Presidente do Governo Regional. A distinguida concorreu com um trabalho intitulado " “Em busca do sonho açoriano”, publicado no jornal “ Açoriano Oriental” de 09 de Dezembro de 2003. Nessa primeira edição estiveram a concurso 7 trabalhos, seis da imprensa escrita e um da área de televisão. É de referir que o prémio foi instituído no ano passado e visa distinguir anualmente o melhor trabalho publicado nos órgãos regionais, que promova a integração dos imigrantes na sociedade açoriana e a sã convivência entre povos e regiões. O concurso é promovido pela AIPA e patrocinado pelo Gabinete da Secretária Regional Adjunta da Presidência. Quem é D. Djuta Ben David Justina Silva (aliás, Djuta em nome-de-casa) nasceu no Mindelo, Ilha de S. Vicente, Cabo Verde, numa família em que a música era tão natural como a respiração: pai e irmãos mais velhos tocavam e construíam os seus próprios instrumentos. Aos 10 anos ela própria começa a tocar e a cantar, e aos 20 anos o irmão Adolfo chama-a para Lisboa, onde se torna cantora profissional. Ela e Adolfo formam o duo “Irmãos Silva”, que actua em Portugal durante seis anos, cantando a música cabo-verdiana, ainda pouco conhecida e apreciada na época, e também música brasileira. Casa depois com o jogador de futebol Henrique Ben-David, também de S. Vicente, e, quando ele se retira da actividade em virtude de uma lesão grave, os dois vêm viver para S. Miguel por meados da década de cinquenta do século passado, onde, entretanto, o marido viera treinar o Clube Santa Clara. Sendo dos primeiros (talvez os primeiros) cabo-verdianos a chegar aos Açores, Djuta Ben-David não esconde as dificuldades que sentiram em adaptar-se à nova realidade de S. Miguel, com hábitos e costumes diferentes dos seus, uma sociedade mais fechada e menos alegre até do que a sociedade do seu Mindelo de origem. Mas Djuta Ben-David gosta também de referir o modo como acabou por se integrar neste novo espaço insular, de que fez a sua segunda ilha e a ilha da sua família. Por ser um símbolo das comunidades migrantes no arquipélago, não só como se integrou na sociedade açoriana, mas também pelo respeito e carinho que merece de todos nós, a Associação dos Imigrantes nos Açores decidiu instituir o prémio D. Djuta Ben David, tudo na convicção de que estaremos a construir uma sociedade mais harmoniosa, onde as diferenças não sejam motivo de discriminação, mas sim de respeito e tolerância, em nome da integração.

Publicado: Quarta, 26 Maio, 2004

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