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“Uma açoriana que nasceu em Angola" celebra 40 anos de residência nos Açores

A vice presidente da direção da AIPA, Maria Cristina Borges comemorou, no passado dia 10 de janeiro, 40 anos de residência na ilha de São Miguel.  

Nasceu em Angola e desembarcou em Lisboa, refugiada de uma guerra que assolava o seu país. “Vim em condições inimagináveis, com o coração partido entre a família e amigos que ficaram para trás, numa Lisboa onde se vive 24h”, partilhou na sua cronologia do Facebook.

Na publicação lembra que deixou na terra natal os cheiros, os aromas, o mar calmo, a areia branca, os nove meses de verão na companhia de um Sol que amava de forma intensa, a infância com pouca roupa e descalça para aproveitar bem todos os minutos que se mantinha acordada, do trepar às árvores e nos seus troncos saborear os seus frutos, de brincar às casinhas no galinheiro. “Enfim... tudo que uma criança gosta, precisa para crescer com felicidade”, acrescenta.

Maria Cristina Borges chega à ilha de São Miguel, depois de saber que tinha ficado colocada na Escola Preparatória Roberto Yvens em Ponta Delgada. A primeira escola nos Açores, que lhe deu a oportunidade de continuar a exercer a sua “profissão de paixão e convicção - Ser professora pelo gosto e vocação de ensinar”.

“Sim, há 40 anos que aqui vivo”, escreve. “A Adaptação foi difícil? Foi.
As ruas eram muito estreitas? Eram. Para mim eram do tamanho dos passeios da minha cidade”, adita.
Apesar das dificuldades, hoje diz com alegria: “não escolhi o lugar para nascer, mas escolhi o lugar para viver”.
Constituiu família, ajudou a formar homens e mulheres através do ensino, fez muitos amigos, colegas e hoje é muito acarinhada não só na sua zona de residência, Rabo de Peixe, onde é madrinha da Associação de Solidariedade “Sentinela de Sonhos”.

Também, através do importante papel que tem para o artesanato dos Açores, já representou o arquipélago nos EUA, Canadá e Europa.

 

Por tudo isso e destes 40 anos de residência nos Açores, diz orgulhosamente que é “uma açoriana que nasceu em Angola". “Esta é a minha casa”, termina.

Publicado: Sexta, 13 Janeiro, 2017

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