AIPA

São cada vez mais os imigrantesa receber subsídio de desemprego

A quantidade de trabalhadores imigrantes a receber subsídio de desemprego não pára de aumentar, ao contrário do que sucede com os restantes. Desde Janeiro até Maio, o número de estrangeiros beneficiários aumentou 5,4% - ou 776 pessoas - enquanto que, considerando o universo total, o panorama é precisamente o inverso - existiam no mês passado menos quase oito mil pessoas (um decréscimo de 2,5%) do que no início do ano. A diferença acentua-se quando se tem em conta um prazo temporal maior. Em Janeiro do ano passado, havia 11 556 trabalhadores de origem estrangeira a receber esta prestação social. Em Maio deste ano eram já 15 070. Ou seja, no espaço de um ano e meio, aumentou 30% - que compara com uma subida de apenas 1,8%, no total de beneficiários no país. O forte crescimento do desemprego subsidiado entre imigrantes leva a que o peso dos trabalhadores estrangeiros no bolo gasto pelo Estado com este subsídio - a segunda parcela que mais recursos gasta do Orçamento da Segurança Social - esteja a aumentar. Em Janeiro do ano passado, apenas 3,8% dos subsidiados eram imigrantes; em Janeiro deste ano, a percentagem subiu para 4,5% e em Maio ia já em 4,9%. Apesar de serem cada vez mais os subsidiados, a verdade é que o número de estrangeiros inscritos nos centros de emprego tem diminuído. De Janeiro a Maio, o número global de inscritos nos centros de emprego diminuiu 6,96%; no caso dos imigrantes, a redução foi ainda maior - 7,32%. Uma possível explicação para esta aparente contradição é o facto de os desempregados já inscritos, mas que ainda não têm direito a receber subsídio (porque estão há pouco tempo no país, por exemplo), estarem a encontrar emprego com mais facilidade. Legalização explica As sucessivas fases de legalização de imigrantes são uma das razões que justifica o aumento significativo dos que têm acesso a subsídio de desemprego. Quanto mais trabalhadores estrangeiros estiverem em situação legal, mais serão os que fazem os devidos descontos para a Segurança Social e, logo, têm acesso à prestação caso percam o emprego. Ou seja, a cada vez maior presença de imigrantes subsidiados não significa forçosamente que haja um aumento equivalente do desemprego entre os trabalhadores estrangeiros, mas indicia que estão cada vez mais integrados no sistema de apoio social e no emprego português, defende Rui Marques, alto comissário para a Imigração e Minorias Étnicas. A progressiva integração resulta das fases de legalização que têm sido abertas. Desde 2000, quando praticamente não havia desemprego, o número de imigrantes legalizados duplicou, para 400 mil. No mesmo espaço de tempo, a taxa de desemprego também duplicou. Por isso, o número de imigrantes inscritos "quadruplicou" nos últimos seis anos, explicou. Ainda assim, se a população imigrante fosse o espelho fiel do que se passa com os trabalhadores portugueses, os números seriam bem diferentes. Considerando uma população activa estrangeira de 400 mil pessoas, o desemprego afecta apenas 4,5% deste grupo, adiantou Rui Marques. Os dados nacionais, contudo, indicam uma taxa de desemprego bem superior, de 7,7%, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística. "É um indício de que ainda muitos estrangeiros estão fora do sistema", acredita. É também prova de que os trabalhadores estrangeiros são mais activos na procura de emprego. "Um estrangeiro vem para Portugal para trabalhar e tem uma mobilidade muito maior do que a dos portugueses, vive onde encontra emprego", disse.

Publicado: Segunda, 03 Julho, 2006

Retroceder

Associe-se a nós AIPA

Agenda

Subscreva a nossa newsletter