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Carrinha móvel do SEF vai aos bairros para regularizar grupos vulneráveis

Ana Maria nasceu em Cabo Verde e imigrou para Portugal em 1983. Aos 41 anos tem sete filhos, os dois mais novos agarrados às saias, e uma bebé de três meses. Deixou caducar a autorização de residência (AR) e os três últimos filhos não tinham documentos. Esta semana regularizou a situação numa carrinha móvel do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que se deslocou à Cova da Moura, um projecto pioneiro que vai ao encontro dos grupos mais vulneráveis, como crianças e deficientes. Esta cabo-verdiana que vive no Casal da Mira, perto da Cova da Moura, na Amadora, é uma das 16 pessoas atendidas numa carrinha do SEF, o que resultou de uma parceria com a Associação Moinho da Juventude. A Ana Maria trabalha nas limpezas e tem poucas horas livres. O marido viajou até Cabo Verde e é a filha Liliana, de 17 anos, que a ajuda a tomar conta das crianças. "Contactámos esta família através do Projecto Cegonha, que dá apoio a mães adolescentes e onde está a filha da Ana Maria, a Vitalina, agora com 20 anos. Ela queria inscrever-se num curso e não tinha documentação. Este é o problema de muitos imigrantes, o que dificulta a atribuição de apoios. Com a nossa ajuda, acabou por adquirir a nacionalidade portuguesa", conta Maria Eunice Guerreiro, animadora cultural da Associação. Vive na Cova da Moura, tal como Anabela Rodrigues, jurista, membro da direcção. São elas que fazem a triagem dos documentos exigidos para a regularização e se deslocaram aos sítios, nomeadamente às embaixadas e às repartições públicas portuguesas. Trabalharam quase três meses até conseguirem reunir toda a documentação das 16 pessoas atendidos na primeira deslocação da carrinha do SEF à Cova da Moura. No local, os funcionários carimbam os papéis, entregam os documentos e prestam informações. Concederam oito AR e renovaram outras três, deram três certidões para a obtenção da nacionalidade portuguesa e dois vistos de prorrogação de permanência. Uma das prorrogações foi para Edna Gomes, de 24 anos, que saiu da Guiné há três anos com um visto de curta duração de três meses para tratar da filha, a Edneuza, de 4 anos, que nasceu com malformações. Nunca mais renovou o título. "Não sabia que era preciso. A Belinha é que me disse", explica. Foi o "boca-a-boca" que espalhou a nova sobre a visita do SEF e a associação já tem um grupo de imigrantes para a próxima deslocação, em Julho. Defendem que a iniciativa deveria ser alargada aos outros bairros o mais rapidamente possível. Fonte: DN

Publicado: Segunda, 26 Junho, 2006

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