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Meia centena de páginas para apoiar migrantes e refugiados

Texto: Renascença | Foto: Direitos Reservados

O “Manual de Apoio Psicossocial a Migrantes” é lançado esta quinta-feira em Lisboa. Projecto conjunto da APAV, Cruz Vermelha e Direcção-Geral da Saúde quer ajudar a compreender os casos de sofrimento e trauma psicológico que afectam, sobretudo, os refugiados.

Chama-se “Manual de Apoio Psicossocial a Migrantes” e pretende ser um guia de boas práticas para mitigar os problemas do foro mental que muitos milhares de refugiados enfrentam no percurso até à Europa.

A crise humanitária sem precedentes que hoje se vive, gerada sobretudo pelos conflitos no Médio Oriente, criou a necessidade de uma estratégia para facilitar a integração destes migrantes.

Bruno Brito, assessor técnico da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) considera que “a abordagem é essencialmente terapêutica". Mas não exclusivamente. "Com este manual procuramos identificar eventuais problemas do foro psicológico que, se necessário, podem ser encaminhados para as nossas equipas clínicas".

Contudo, a receptividade no acolhimento é decisiva, "a começar pelas residências que lhes são atribuídas, passando pelo acesso à educação para as crianças e jovens e pelo acesso às oportunidades de trabalho".

Bruno Brito defende que, quanto melhor a integração em comunidade, menor será o risco de ocorrerem fenómenos de radicalização. Para este assessor técnico da APAV, "a incompreensão de parte a parte – visível nos países que decidiram adoptar uma postura de rejeição aos refugiados – é o que leva ao extremar dos discursos. É isso que faz com que os processos de radicalização aconteçam, porque há um processo de afastamento da população relativamente aos migrantes e, por outro lado, um fechamento dos migrantes dentro da sua própria cultura por oposição às comunidades que os recebem", adverte, em declarações à Renascença.

 

Se a abordagem terapêutica aos traumas, associada a uma boa aceitação por parte da comunidade de acolhimento, for bem sucedida, "estabelecem-se laços de confiança que ajudam no processo de integração que diminuem os riscos eventuais de uma radicalização".

Publicado: Sexta, 26 Fevereiro, 2016

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