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Que acolhimento recebem os migrantes na Europa?

Texto: Euronews | Foto: Direitos Reservados 

O problema dos milhares de migrantes e refugiados – que abandonaram os seus países, à procura de uma vida melhor na Europa, ou que fugiram a uma morte certa – não termina no dia em que chegam à União Europeia.

Depois de, a maior parte, ter sobrevivido à travessia marítima, na qual muitas centenas morreram, depois de passarem pelas dificuldades da chegada à Grécia ou da passagem pela Sérvia, entrar na Hungria não é mais fácil. À sua frente têm uma cerca, instalada pelas autoridades húngaras, que ainda assim conseguem “driblar” mas deparam-se depois com outro tipo de situações. Como são recebidos os migrantes nos diferentes países da Europa pelos quais passam?

Esta terça-feira, centenas de migrantes corriam para sair da Hungria quando o insólito aconteceu. Uma operadora de câmara, Petra László, funcionária do canal de televisão húngaro N1TV – ainda que não seja claro se estava ao serviço desta estação ou se estaria a fazer uma ‘reportagem’ para o partido de extrema-direita Jobbik – resolveu “pregar uma rasteira” a um migrante que corria, com uma criança ao colo, e que acabou por cair. As imagens foram publicadas nas redes sociais por Stephan Richter, outro jornalista, a cena tornou-se viral e levou o N1TV a demitir Petra László pelo seu “comportamento inaceitável”.

Gerir a situação na Hungria não foi, de todo, fácil. Nem todos concordaram com a forma como as autoridades locais, encabeçadas pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, geriram a questão dos refugiados que, se queixaram de ser deixados ao abandono, de serem mal tratados pelos húngaros, mensagem claras, ditas por alguns, já em território alemão.

Mas, também na Hungria, há o outro lado, grupos de voluntários, muitas pessoas anónimas, que ajudam os migrantes da forma que podem, fornecendo-lhes comida, por exemplo, como escreve o ‘Wall Street Journal’. Grupos organizados, como o ‘Migration Aid’, criado em junho, multiplicam os seus esforços para dar um pouco de ‘calor’ a estas pessoas.

Passado aquilo que foi, para a maioria, o pesadelo húngaro a chegada à Áustria marca uma nova abordagem. Austríacos e alemães entraram em acordo para que tudo se desenrolasse da forma mais pacífica possível. A Áustria abre as suas fronteiras. A segunda paragem, dentro do território austríaco, perto da capital, Viena, éTraiskirchen. Ainda que para muitos este seja apenas um ponto de paragem no caminho para a Alemanha, também aqui os pedidos de asilo se multiplicam e a receção aos migrantes é tranquila.

Angela Merkel torna-se na heroína dos migrantes, isso vê-se em cartazes de agradecimento, mas também na internet, ainda assim, na Alemanha, vai-se do “oito ao oitenta”. A receção aos primeiros migrantes e refugiados que chegaram a Munique foi impressionante.

Dezenas de pessoas esperavam e aplaudiram a chegada dos migrantes. Prontos não só para acolhê-los mas também para ajudá-los. Crianças munidas de doces partilhavam-nos com outras crianças, imagens impressionantes de humildade.

Mas toda a moeda tem o seu reverso. Nas ruas, mesmo antes da chegada dos primeiros comboios de migrantes à Alemanha, já militantes de extrema-direita e neo-nazis se manifestavam e criavam o caos perto de um centro de acolhimento de refugiados. Situação condenada, em conferência de imprensa por Angela Merkel, ao lado de François Hollande, que fez das palavras da chanceler alemã suas.

Mas a situação está longe de estar resolvida. Nesta equação o papel da União Europeia é fundamental. Os 28 não conseguem chegar a acordo quanto ao que fazer e como fazer para resolver um problema que é grave para a Europa e que não é fácil de gerir.

Esta quarta-feira, no discurso do estado da União, Jean-Claude Juncker abordou a crise dos refugiados. O presidente da Comissão Europeia quer distribuir os 120 mil refugiados, que estão em Itália, Grécia e Hungria, com caráter de urgência e obrigatório.

Mas para que se passe das palavras aos atos é preciso que os países que fazem parte da União Europeia aceitem o papel que lhes foi destinado.

David Cameron começou por mostrar-se pouco disponível para abrir as portas do país a mais refugiados mas parece que a opinião pública britânica está mais solidária do que o primeiro-ministro, como escreve The Guardian. Cameron lá acabou por concordar receber mais alguns milhares.

França já começou a receber os primeiros refugiados vindos da Alemanha na mesma altura em que lançou mais uma ofensiva contra o autoproclamado Estado Islâmico, na Síria.

Os autarcas foram convidados a organizar calorosas receções aos migrantes.

Também a sociedade civil se mobiliza, artistas falam de solidariedade nos canais de televisão. Um grupo de pessoas sob o lema ‘Pas en notre nom’ consegue reunir mais de 10 mil pessoas no centro de Paris, na Place de la Republique, a ação estende-se a outras cidades francesas.

O jornal ‘Libération’ junta-se às iniciativas conduzidas pela sociedade civil. Uma publicação online, Slate dá o seu contributo fazendo uma “resenha” sobre o que se pode fazer para ajudar.

Mas esta onda de solidariedade não é abraçada por todos em França. O governo francês, que mostrou disponibilidade para acolher 24 mil pessoas, pediu às autarquias que providenciarem alojamento para receber os refugiados e migrantes que vão chegar ao país nos próximos meses mas nem todos os presidentes de câmara se mostraram satisfeitos e disponíveis para fazê-lo, como conta ‘Le Monde’.

Na longínqua Islândia há 11 mil islandeses disponíveis para acolher refugiados sírios mas, para já, e como escreve ‘O Público’, o país só pode receber 50 pedidos de asilo por ano.

Portugal, como escreve o ‘Expresso’, citando a agência de notícias Reuters, é obrigado a receber os refugiados como consequência da ratificação de tratados internacionais, como contrapartida recebe 6 mil euros por cada acolhimento. Bruxelas queria que Portugal recebesse 4775 refugiados mas, segundo as autoridades portuguesas o país vai receber ao todo 3.074 refugiados, a partir de outubro.

Nos últimos dias vários foram os ‘posts’, publicados nas redes sociais, de indignação pelo facto de termos de apoiar os refugiados quando a pobreza é grande em Portugal. Foi mesmo lançada uma petição pública, na internet, contra a criação de um centro de acolhimento destes refugiados e migrantes no Algarve.

Na madeira, o anúncio do Governo de que pretendem acolher refugiados no arquipélago, não está a ser pacífico, como escreve ‘O Público’. Há grupos no Facebook contra, há comentários xenófobos e há até quem pretenda organizar uma manifestação de protesto.

Do outro lado, organizações da sociedade civil decidiram criar uma Plataforma de Apoio aos Refugiados que pretende ajudar as pessoas que vão integrar o país. O Conselho Português para os Refugiados diz que está a receber ofertas de empresas e outras instituições e que dezenas de pessoas estão a disponibilizar-se para acolher famílias ou crianças refugiadas. A informação é avançada pela agência de notícias LUSA.

 

Para lá de todas as polémicas há dinheiro e outro tipo de apoio prometido, para ajudar estas pessoas a recuperarem a sua vida, pelo desporto. Bayern Munich, Real Madrid, Comité Olímpico Internacional querem ajudar. E mesmo entre as claques desportivas o apoio é visível no estádio do Borussia Dortmund.

Publicado: Quinta, 10 Setembro, 2015

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